Estado assume dívida de 10 milhões de Vítor BaíaA Ferver:
31.12 - 20h
Por: António Sérgio Azenha
O Estado assumiu, através da empresa pública
Parvalorem, a dívida de quase 10 milhões de euros de duas empresas de
Vítor Baía ao BPN. A dívida resulta da concessão de créditos pelo banco,
quando era liderado por José Oliveira e Costa, às sociedades Sunderel -
Gestão Imobiliária, e Cleal - Investimentos Imobiliários, que foi
gerida por António Manuel Esteves, o ex-sócio a quem Vítor Baía acusou
de burla.
As dívidas da Sunderel e da Cleal ao
BPN foram transferidas para a Parvalorem, sociedade criada para acolher
os activos tóxicos do BPN no âmbito da privatização do banco, que foi
nacionalizado no início de Novembro de 2008. Como a Parvalorem comprou
esses créditos ao BPN, cabe agora a essa empresa pública recuperar o
dinheiro.
Para já, segundo apurou o CM, a dívida
da Sunderel rondará, incluindo juros de mora, quatro milhões de euros.
Já a dívida da Cleal, incluindo também juros de mora, ascenderá a cerca
de seis milhões de euros. Os empréstimos do BPN a estas empresas tiveram
como objectivo financiar projectos ligados ao sector imobiliário.
Mesmo
com a dívida total da Sunderel e da Cleal a rondar os 10 milhões de
euros, "os créditos das empresas de Vítor Baía não são os piores, porque
têm garantias reais", garante fonte conhecedora do processo. E tanto
assim é que, segundo assegura a mesma fonte, "as garantias reais dão
quase para pagar as dívidas [da Sunderel e da Cleal]".
A
transferência da dívida destas firmas para a Parvalorem não é um caso
único: desde o final de 2011, essa sociedade pública já comprou ao BIC
créditos malparados no valor total de quase 4,2 mil milhões de euros.
O
CM tentou falar, por telemóvel, com Vítor Baía, mas sem sucesso. Foram
enviados SMS com o assunto em causa, mas o ex-guarda-redes não
respondeu. Vítor Baía realizou, nos últimos anos, investimentos
imobiliários: um deles foi o Hotel Évora Machede, no Alentejo.