Advogado quer pôr Renato na mão do júriCarlos Castro: Paixão Fatal:
05.3 - 21h
Por: Valério Boto, em Nova Iorque
Renato Seabra deverá enfrentar um julgamento sem haver um acordo prévio. É o que considera David Touger, advogado de defesa do jovem de Cantanhede, autor confesso do homicídio do cronista social Carlos Castro, num hotel norte-americano, em Janeiro passado. O advogado não está confiante numa negociação favorável com a procuradoria e aponta para que seja o júri a decidir o futuro do manequim. "A este ponto [o julgamento] é o mais provável", disse Touger ontem à porta do Tribunal Supremo de Nova Iorque, nos Estados Unidos.
O jovem modelo voltou a sair da cela ontem para ser transportado para a sala do tribunal na baixa de Manhattan. Entrou pela porta lateral da sala acompanhado por alguns polícias e algemado, manteve-se de cabeça baixa e remeteu-se ao silêncio durante a curta audiência – durou apenas três minutos –, na qual esteve também presente a mãe do jovem. Odília Pereirinha sentou-se discretamente ao fundo da sala do tribunal e seguiu atentamente a audiência do processo que coloca o seu filho no banco dos acusados.
Na audiência, que começou às 10h00 locais (15h00 em Lisboa), David Touger apresentou um pedido para que seja anulada a confissão dada pelo jovem à polícia de Nova Iorque e para que sejam refutadas provas recolhidas pelas autoridades norte-americanas. Touger defende que a confissão é inconstitucional por ter sido dada sem a presença de um advogado e por "outro motivos" que se escusou a especificar.
Na sessão de ontem, o advogado de Renato Seabra pediu ainda que fosse adiado o prazo para informar a procuradoria sobre a eventual utilização de uma defesa baseada na "insanidade mental", por falta de relatórios médicos.
Assim, a estratégia que David Touger vai preparar para o julgamento está dependente das moções que forem aprovadas pelo juiz e dos relatórios médicos do Hospital Saint Lukes, o primeiro em que Renato Seabra deu entrada na noite do homicídio. "São muito importantes porque foram as primeiras pessoas a falar com ele", acrescentou Touger.
A acusação, representada pela procuradora Maxine Rosenthal, tem agora a próxima audiência, que decorre a 8 de Abril, para responder às moções apresentadas pela defesa. Uma terceira audiência servirá para dar a conhecer a decisão do juiz sobre as moções.
Para já, Renato Seabra vai continuar detido na ala prisional do Hospital de Bellevue, mas ainda é incerto até quando irá evitar a cadeia. Até o próprio advogado de defesa admite não saber quanto tempo poderá Renato ficar naquelas instalações, remetendo a decisão para os médicos.
ADVOGADO QUEBRA SILÊNCIO PARA DIZER QUE RENATO "ESTÁ BEM"
David Touger, advogado de Renato Seabra, tem recusado fazer declarações sobre o processo, mas ontem quebrou o silêncio e falou sobre o estado de saúde do jovem de Cantanhede. Renato Seabra, de 21 anos, que se tem apresentado com um ar pálido e muito calmo em tribunal, está, segundo o seu advogado, "bem, dadas as circunstâncias". David Touger recusou-se, porém, a explicar se Renato Seabra está consciente do que se está a passar e das suas acções. O manequim continua internado na ala prisional do Hospital de Bellevue, em Nova Iorque, desconhecendo-se se será transferido para uma prisão.
"TEMPO PARA APURAR TODA A VERDADE"
"É fundamental que haja tempo para que se apure toda a verdade e que o Renato seja julgado com base em toda a verdade", disse ao CM José Malta, cunhado do jovem e porta-voz da família.
"Às vezes, nem tudo o que parece é. Por isso é que num Estado de Direito existe investigação para que toda a verdade seja apurada. E por isso mesmo é que também qualquer cidadão é presumível inocente até trânsito em julgado", lembra José Malta. Sobre o pedido de anulação da confissão, considera: "O que me parece lógico, pelas mais diversas razões, é que qualquer cidadão deve estar protegido no que concerne aos seus direitos legais e humanos, por um advogado ou representante legal, quando está a ser interrogado ou acusado pelas forças policiais."
A mãe de Renato, Odília Pereirinha, deverá comentar o processo este fim-de-semana através de uma mensagem escrita.
CRONOLOGIA
09/10/2010
Renato Seabra aceita um pedido de amizade feito por Carlos Castro no Facebook.
15/10/2010
O manequim e o cronista social têm o primeiro encontro, no Portugal Fashion, no Porto.
29/12/2010
Viajam para Nova Iorque e ficam no Hotel InterContinental, em Times Square, onde partilham o quarto 3416.
31/12/2010
Renato e Castro passam o fim de ano juntos na Times Square e chegam a encontrar-se com outros portugueses.
02/01/2011
Testemunhas dizem que ouviram gritos no quarto e no corredor do hotel. O manequim diz à família que não se tem sentido muito bem.
07/01/2011
O corpo de Carlos Castro é encontrado no quarto, nu, com cortes profundos na cabeça e castrado. Renato é preso.
10/01/2011
O manequim é acusado de homicídio em 2.º grau.
15/01/2011
Primeira audição de Renato Seabra em tribunal, acusado de homicídio em 2.º grau.
01/02/2011
Grande Júri do Supremo Tribunal confirma a acusação. Renato Seabra declara-se não-culpado (‘not guilty’).
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