Catarina Gouveia: “Gosto de dar e receber afectos”Confissões:
12.5 - 10h
A paixão de Catarina Gouveia pela representação nasceu em Santa Maria de Feira, onde vivem a família e o namorado. A sua personagem em ‘Doce Tentação’ obriga-a a passar muito tempo em Lisboa, mas aos fins-de-semana ruma ao encontro dos seus afectos. Confessa que um dia gostava de ser protagonista de uma novela.
- Quando se apercebeu de que queria ser actriz?
- Eu sou de Santa Maria da Feira, onde se realiza uma feira medieval todos os anos. Os grupos de teatro locais participam na feira e recrutam pessoas para fazerem de figurantes nessa altura. Eu tinha 10 ou 11 anos quando pedi aos meus pais que me inscrevessem nesses grupos e foi aí que tudo começou.
- Os seus pais aceitaram bem a ideia de se envolver num grupo de teatro?
- Sim, até porque calhava numa altura de férias e era uma boa ocupação. Além dos teatrinhos medievais, fazíamos também artifícios de fogo, que são danças com correntes de fogo. Tornei-me uma ‘profissional’ nessa actividade.
- Entretanto, optou por tirar o curso de Psicologia.
- Sim, tirei até ao terceiro ano, depois comecei a ter dúvidas se era isso que queria. Parei de estudar, estava cansada, a passar por muitos problemas pessoais. Ainda bem que parei. Acredito que as coisas não acontecem por acaso. Foi por ter parado que fui ao casting dos ‘Morangos com Açúcar’.
- Quer dizer que acredita no destino?
- Acredito que há coisas destinadas a ser nossas.
- Disse que estava a ter problemas pessoais...
- Sim, entrei para a faculdade com 17 anos e estava a trabalhar e a estudar ao mesmo tempo. Os meus pais tinham uma empresa que, em 2005, abriu falência e, por isso, não tinham a possibilidade de me pagar os estudos. Eles passaram nessa altura por aquilo que muitas famílias estão a passar hoje. Ficaram sobreendividados, perdemos a nossa casa, foi muito duro.
- Estava habituada a ter tudo?
- Fui uma criança que cresceu com tudo. Fui federada em natação e ténis, pude ter aulas de dança e canto, os meus pais deram-me uma infância a que todas as crianças deveriam ter direito. Tive uma infância muito feliz.
- Então foi difícil ter pouco dinheiro.
- Foi difícil lidar com tudo, tivemos de entregar a nossa casa ao banco e, quando se faz isso, não se entrega só a casa, entrega-se a vida das pessoas que trabalharam uma vida inteira para poderem ter algum conforto. De repente, perde-se tudo.
- E a união familiar ajudou...
- Sim, somos uma família muito unida e demos a volta relativizando as coisas.
- Isso coincidiu com a entrada na faculdade. Foi trabalhar em quê?
- Comecei por fazer ‘baby-sitting’, sempre adorei crianças. Aliás, quando estava a tirar Psicologia tinha intenção de me dedicar à área educacional. Depois, comecei a fazer presenças à noite. Fazer noites e, depois, ir às aulas de manhã deixou-me esgotada, exausta. E como eu só ganhava 30 euros para estar três horas em pé numa discoteca, acabei por desistir, até porque não gosto nada de discotecas, para mim era um frete.
- Não se diverte nas discotecas?
- Não me divirto nada. No dia em que for proibido fumar nas discotecas, vou gostar. Ainda há pouco tempo fui e saí de lá a cheirar a tabaco dos pés à cabeça.
- Não tem vícios?
- Não fumo nem bebo álcool, nem em ocasiões sociais. Não gosto.
- Ainda estava a estudar quando fez o casting para a ‘FHM’?
- Sim, surgiu a oportunidade de fazer o casting para a ‘FHM’ nessa altura. Quando fazia presenças, havia raparigas que ganhavam mais do que eu por aparecerem em certas revistas. Decidi, então, tentar a minha sorte, achei que se aparecesse numa revista, em vez de ganhar 30 euros, poderia ganhar 70 ou 75, o que para mim era muito bom.
- Ganhou o casting quando tinha 18 anos. Como se sentiu a fazer fotos ousadas?
- Primeiro fiquei muito feliz quando soube que tinha sido a escolhida. Quando fui fazer as fotografias, não tinha a consciência e a maturidade que tenho hoje, era completamente inexperiente. Sou muito envergonhada e tímida e o produtor foi-me orientando. Aceitei fazer o que me propuseram.
- Arrependeu-se?
- Não tenho razões para me arrepender. Mas não é uma coisa de que me orgulhe, não ando com as fotos na mala para mostrar às pessoas. Fez parte do meu percurso, talvez se não tivesse ido a esse casting, não teria feito o casting para a série ‘Morangos com Açúcar’.
- Como encararam os seus pais essa produção fotográfica?
- Muito bem. Tive sempre muito apoio, principalmente da minha mãe.
- A partir dessa altura começaram a surgir boas oportunidades?
- Sim, comecei a ser chamada para fazer castings de publicidade e, depois, o dos ‘Morangos com Açúcar’. Quando fiz a primeira publicidade, ainda estava no 3º ano de Psicologia. Numa manhã ganhei o suficiente para pagar as minhas propinas. Depois fiz outra e fui de férias com o meu irmão [Diogo, de 17 anos].
- Foi só com o seu irmão?
- Sim, ele dizia que quando os professores mandavam fazer composições sobre as férias, os amigos escreviam sobre Brasil, Algarve, e ele nunca ia a lado algum. Fui com ele para umas ilhas espanholas.
- Depois dos ‘Morangos com Açúcar’ surgiram novelas em horário nobre, como ‘Espírito Indomável’ e, agora, ‘Doce Tentação’. Já se sente à vontade na arte da representação?
- Terei sempre necessidade de aprendizagem. No nosso contrato dão-nos um ‘plafond’ para investirmos em cursos e workshops.
- Gostava de fazer cursos no estrangeiro?
- Gostava de fazer no Brasil. Não me estou a ver nos Estados Unidos, a falar inglês...
- E entrar numa novela brasileira?
- Gostava, cresci a ver novelas brasileiras, mas é um passo de cada vez. Se as oportunidades tiverem de surgir, surgem.
- Namora com um futebolista [Guima, avançado da Oliveirense). Como se conheceram?
- Conhecemo-nos no liceu, em Santa Maria da Feira.
- Pensam em casar-se?
- Sim, sonho construir a minha família, mas ainda falta muito. Só tenho 24 anos.
- Ele aceita bem a sua profissão? Não é ciumento?
- Ele apoia-me e é ciumento q.b.. Temos uma relação feliz, apesar de ele estar em Santa Maria da Feira e eu em Lisboa. Sempre que posso vou para lá.
- Não pensa em viver com ele?
- Não compensa, porque só vou a Santa Maria da Feira aos fins-de-semana. Estarmos a pagar renda de um apartamento só para estarmos juntos aos fins-de-semana não compensa.
- É sempre assim racional ou também é romântica?
- Sou muito romântica. Gosto de lhe fazer surpresas e ele também me faz.
- Na sua profissão, a imagem é importante. O que faz para cuidar dela?
- No meu dia-a-dia tento não andar maquilhada porque no estúdio a nossa pele está carregada de base, de pós compactos, a pele não respira. Por isso, sempre que acaba uma gravação, desmaquilho-me e mantenho a pele bem hidratada. E bebo muita água.
- Não faz ginásio?
- Não gosto, sou preguiçosa. Mas quando estou em Lisboa, faço caminhadas no Passeio Marítimo de Algés.
- E faz dietas?
- Não, tenho sorte, sou naturalmente magra.
- É gulosa?
- Sou muito gulosa. Gosto muito de comer doces, chocolates...
- E sabe cozinhar?
- Sei cozinhar muito bem.
- Qual o seu prato favorito?
- Adoro cozinhar massas. A minha mãe é uma excelente cozinheira e eu aprendi com ela. Aliás, cresci a cozinhar. Nas férias, quando a minha mãe ia trabalhar, orientava-me para fazer o almoço. Adoro cozinhar para a minha família e para o meu namorado.
- O que lhe dá mais prazer na vida?
- Os afectos. Tenho muito prazer em estar com as pessoas de quem gosto. Gosto de dar e receber afectos.
- É carinhosa?
- Sou muito carinhosa. Gosto muito de toques, beijinhos e abraços.
- É reconhecida na rua?
- Eu passo despercebida. Com calças de ganga, sem maquilhagem, sou uma rapariga no meio de outras. Mas quando acontece reconhecerem-me, é muito agradável. As pessoas são muito queridas e falam sobretudo da ‘Ju’ de ‘Espírito Indomável’. É através dessas abordagens que vejo o impacto que a personagem teve.
- Qual vai ser o seu próximo projecto?
- Ainda não sei. Está previsto gravarmos a novela ‘Doce Tentação’ até ao Verão.
- Gostava de ser protagonista?
- Claro que um dia gostava de ser protagonista, mas não fico infeliz se não for. Temos de ver as coisas pelo lado positivo. Se fosse, não ia tantas vezes a Santa Maria da Feira, não teria tantas folgas...
- É uma pessoa optimista?
- Sou muito optimista, muito positiva. Essa é uma grande qualidade minha.
- Qual é o seu defeito?
- Sou muito distraída. Esqueço-me do computador no comboio, já perdi as chaves do carro... E fico aborrecida comigo...
INTIMIDADES
- Quem convidaria para um jantar a dois?
- A Meryl Streep. É uma actriz que admiro, gostava de conhecê-la pessoalmente.
- Quem é para si o homem mais sexy?
- O meu namorado [Guima, avançado da Oliveirense].
- O que não suporta no sexo oposto?
- A falta de educação. Mas isso não suporto em qualquer pessoa, seja homem ou mulher. Não há nada em particular que eu não suporte só no sexo oposto.
- Qual é o seu maior vício?
- Água e chocolate. Estou sempre a beber água, mesmo quando não tenho sede.
- Qual foi o último livro que leu?
- ‘O Verão na Cidade’, de Candace Bushnell.
- O filme da sua vida?
- Tenho vários, mas gosto particularmente de ‘As Pontes de Madison County’.
- Cidade preferida?
- Santa Maria da Feira.
- Um desejo?
- Tenho tantos... Fazer feliz as pessoas que estão à minha volta. Só assim é que consigo ser feliz.
- Complete. A minha vida é...
- Abençoada.
PERFIL
Catarina Gouveia, 24 anos, nasceu no Porto, mas vive entre Lisboa e Santa Maria da Feira. Foi capa da revista ‘FHM’, participou nas séries ‘Morangos com Açúcar’ e ‘Destino Imortal’ e na novela ‘Espírito Indomável’. Integra o elenco de ‘Doce Tentação’.