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Cláudia Borges: “Ser mãe fez-me crescer”Confissões: 04.2 - 10h Por: Rute Lourenço

Há quatro anos no ‘Fama Show', programa da SIC, Cláudia Borges sente-se como peixe na água. Mas foi a maternidade que a realizou. Com o nascimento de Rodrigo, a apresentadora assume que deixou de ser menina e já pensa em aumentar a família.

- Está há quatro anos a apresentar o programa ‘Fama Show'. Qual é o balanço que faz?

- Está a fazer quatro anos e o balanço só podia ser positivo: a nível de audiências e de tudo aquilo que envolve fazer o ‘Fama'. As pessoas com quem trabalho, as reportagens que tenho feito, é tudo muito gratificante e tem corrido bem.

- Já houve muitas mexidas nas caras que apresentam o programa. Tem saudades do grupo inicial?

- Continuo a falar com a Liliana Campos, que continua na SIC, e apesar de a Orsi [Fehér] estar a viver longe [Emirados Árabes Unidos], também vamos falando pontualmente. Em relação aos elementos novos, é óbvio que é sempre diferente, mas não foi estranho recebê-los. Damo-nos bem.

- Mesmo sendo tantas mulheres a trabalhar juntas?

- Sim. Entendemo-nos bem e se andássemos à chapada todos os dias se calhar o programa não tinha durado tanto tempo. Obviamente que temos as nossas diferenças, cada uma de nós tem uma característica que chama mais a atenção, mas já nos conhecemos muito bem e sabemos lidar umas com as outras. Claro que não concordamos sempre, mas daí a darmo-nos mal vai uma grande diferença.

- Acha que é mais difícil para o Daniel Oliveira trabalhar com tantas mulheres?

- Claro que deve ser difícil, porque depois há a produção, que também são mulheres, mas acho que ele gosta de trabalhar connosco.

- No decorrer do programa assistiram ao romance entre o Daniel e a Andreia Rodrigues. Isso não condicionou o vosso comportamento com eles?

- Como se pode imaginar, o Daniel e a Andreia não andam agarrados nos corredores. Eles são muito discretos na relação, que não influencia nem interfere no trabalho de qualquer membro da equipa do ‘Fama'. Eles são crescidinhos e profissionais.

- Ao longo destes anos já testemunhou o nascimento de muitos romances...

- Já temos umas histórias para contar. Por exemplo, o grande amor da Orsi era o Quique Flores [treinador] e nunca mais me esqueço quando ela chegou, louca, a dizer que o tinha entrevistado. E passado uns tempos começaram a namorar. É muito engraçado...

- Por quanto mais tempo é que se imagina a fazer este programa?

- Nós costumamos dizer que quando formos velhinhas e andarmos de bengala ainda estamos lá. Não sei quanto tempo o ‘Fama' irá durar, mas enquanto houver o programa eu estou disponível.

- Não acha que há uma idade-limite para se fazer este tipo de programas?

- Claro que sim. Nós trabalhamos com a nossa imagem, temos de ter consciência disso e, a partir do momento em que já não for tão agradável aparecermos na TV, no formato que o ‘Fama' tem, qualquer uma de nós está sujeita a sair do programa. Eu, por exemplo, quando estive grávida sabia que isso podia vir a acontecer, não sabia como é que o meu corpo ia reagir a uma gravidez e como ficaria. Nós trabalhamos com a imagem e estamos sujeitas a que isso nos possa acontecer.

- Recuperou rapidamente?

- Tenho de ser sincera, não fiz esforço absolutamente nenhum. Tenho de agradecer à genética e ao meu filho, que não me deixa parar um segundo. Quando o Rodrigo tinha quatro meses fui alguns dias ao ginásio mas, entretanto, já deixei de ir, há quase um ano que não vou.

- Como é que foi o primeiro dia em que deixou o seu filho em casa para voltar a trabalhar?

- No início, o Rodrigo ficou com a avó e quando se deixa um filho com uma pessoa em quem se confia vai-se trabalhar com o coração muito mais leve. Mas foi muito difícil, porque a primeira vez que o deixei tinha ele 22 dias. Fui fazer um directo de Natal e foi complicado. Se sentia o telemóvel a vibrar, ficava logo a tremer.

- Assume-se como uma mãe-galinha?

- Sou um bocadinho chata, mas também sei controlar-me. Mas, se calhar, se ele tivesse telemóvel estava-lhe sempre a ligar.

- De que forma a maternidade mudou a sua vida?

- As minhas prioridades mudaram. Ele é a minha prioridade. Enquanto mulher, amadureci bastante. Tornei--me muito mais mulher, deixei de ser a menina, embora muitas pessoas ainda me vejam como tal. Ser mãe fez-me crescer.

- É uma experiência a repetir?

- Sempre disse que não teria só um filho, porque eu sou filha única e detesto. Portanto, não quero que o Rodrigo o seja, a não ser que, por algum motivo, a vida não me permita ter um segundo filho. Além disso, tive um parto natural, não fiquei nada traumatizada, o que ajuda. Obviamente que sofri, mas também não fui para lá de férias. Já tinha tido 38 semanas para me preparar.

- Vai esperar que o seu filho cresça mais um pouco para voltar a ser mãe?

- Dois filhos em casa iguais ao Rodrigo seria complicado. Ele ainda precisa muito da nossa atenção e quando começa a chorar de manhã para beber o biberão, imagino o que aconteceria se fossem dois. Até aos cinco, seis anos dele, gostava de lhe dar toda a atenção, porque um bebé exige muito. Portanto, só mesmo quando o Rodrigo for um bocadinho mais velho.

- Como é o Samuel [Fortuna] no papel de pai?

- O Samuel só não está mais presente porque não pode, porque também trabalha em televisão e nós não temos horários. Mas é o melhor pai que eu podia ter encontrado para os meus filhos. Brinca imenso com ele, muda fraldas, dá-lhe banho...

- É difícil conciliar com dois pais que têm horários complicados?

- O Samuel consegue ter a vida dele regrada, não sabe é muito bem a que horas pode sair. Nós, no ‘Fama, nunca sabemos quando temos reportagens e, por isso, conto com a ajuda da família. O Rodrigo vai ficando com os avós, também já ficou com a tia, com a bisavó. Mas só deixo o Rodrigo mesmo para ir trabalhar, é muito raro deixá-lo noutras circunstâncias. Posso dizer que ainda não saí à noite nem fui ao cinema desde que o Rodrigo nasceu.

- Tem descurado os momentos a dois?

- Nós conseguimos ter os nossos momentos a dois, porque o Rodrigo também é bebezinho. Sinto, se calhar, mais saudades de ir ao cinema... A questão é que, tanto eu como o Samuel, ainda não conseguimos deixá-lo. Ainda há pouco tempo fomos a um jantar e o Rodrigo foi connosco.

- Há casais que se ressentem com a chegada de um filho. Aconteceu com vocês?

- É natural que a chegada de um bebé exija muita atenção, mas cabe ao casal conseguir dar toda essa atenção ao bebé e ainda continuar a dar atenção e valor à relação que tem. Antes de o Rodrigo nascer já existiam a Cláudia e o Samuel. Mas o Rodrigo faz parte da nossa vida e não nos atrapalha em nada.

- Já o pôs no infantário?

- Já. O Rodrigo é extremamente agarrado a mim e talvez que já estivesse a ficar um bocadinho mimado. Achámos que estava na altura e vai fazer-lhe muito bem. Ele é muito curioso e está sempre atento a tudo e gosta muito de conviver. Quando ele está muito tempo em casa fica um bocadinho irritado.

- Sendo mãe, preocupa-a a situação que o País atravessa?

- Claro que sim, estarmos a criar um filho para viver num país que não se sabe que rumo é que vai ter e isso é preocupante. Esperemos que quando ele for mais velho a situação esteja melhor.

- Já começou a cortar em algumas coisas?

- Sempre tive uma preocupação em não esbanjar. Não sou materialista, nem perco a cabeça por umas botas de 500 euros. Gosto de ter as minhas coisas. Já cometi alguns excessos, não sou ‘Tio Patinhas', como se costuma dizer, mas tento ter alguma moderação. Mas claro que como a situação está a vida de qualquer um terá de sofrer muitos cortes.

- O que comprou com o primeiro ordenado?

- Um carro, muito baratinho, quase a cair aos bocados, mas que nem consegui pagar todo logo. Mas foi muito engraçado e recordo episódios caricatos, como a primeira vez que andei nesse carro: perdi-me e o meu pai teve de me ir buscar.

- Sempre trabalhou na SIC, não conhece outra casa...

- Não, comecei aos 18 anos na SIC, quando ganhei o Miss Mundo Portugal. Um ano depois fui para o ‘Disney Kids', seguiu-se o ‘Êxtase, o ‘Cinco Estrelas' e, agora, o ‘Fama Show'.

- Imagina-se a mudar de canal?

- Não, visto a camisola.

- O que gostava de fazer além do ‘Fama Show'?

- É normal que eu tenha ambições, mas isso não quer dizer que queira deixar de fazer o ‘Fama' ou que desvalorize o programa. Gostei imenso de fazer o ‘Portugal Fashion', porque me deu oportunidade de mostrar um outro registo, o que é óptimo. Gostava de fazer muita coisa.

- Qual foi o ponto alto destes últimos quatro anos?

- Foi o primeiro Dia da Mãe, porque as nossas mães estiveram connosco em estúdio. Foi uma ideia muito engraçada. Mas houve muitos outros momentos.

INTIMIDADES

- Quem gostaria de convidar para um jantar a dois?

- O actor Samuel L. Jackson.

- Quem é para si o homem mais sexy?

- O meu marido [Samuel Fortuna], claro.

- O que não suporta no sexo oposto?

- Acho que não há nada com o qual não consiga lidar.

- Qual é o seu maior vício?

- Actualmente, é mesmo o meu filho. Há um ano que não tenho tempo para muito mais.

- Qual foi o último livro que leu?

- ‘Uma Burca por Amor', de Reyes Monforte.

- O filme da sua vida?

- Não consigo eleger um.

- Cidade preferida?

- Lisboa.

- Um desejo?

- Saúde para mim e para os que amo.

- Complete. A minha vida é...

- Minha.

PERFIL

Cláudia Borges Nasceu no dia 9 de Fevereiro de 1983. Aos 18 anos participa no Miss Mundo Portugal, concurso que acaba por vencer. Em Setembro de 2002 estreia-se na televisão, ao integrar a apresentação do programa infantil ‘Disney Kids'. Seguem-se ‘Êxtase' e ‘Cinco Estrelas'. Desde há quatro anos que co-apresenta o ‘Fama Show'. Vive há vários anos com Samuel Fortuna, de quem tem um filho, Rodrigo, de um ano.



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