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DJ Poppy: “Sinto que há inveja à minha volta”Confissões: 21.4 - 10h Por: Vânia Nunes

Já foi considerada a DJ mais sexy do País, mas rejeita esse tipo de rótulos. Iolanda Mendonça, ou Poppy, como foi registada na África do Sul, quer ser reconhecida pelo seu trabalho. E continua à espera de encontrar o homem da sua vida.

- É verdade que começou a pôr música à revelia da sua família?

- Sim, mas foi mais complicado quando comecei a trabalhar à noite como barmaid aos 18 anos. Eu estudava, mas sempre fui muito desenrascada e independente e informei os meus pais do que ia fazer, não lhes pedi autorização. Na altura, ganhar quase mil euros em dois dias por semana era bastante dinheiro. Aí, apaixonei-me logo pela noite, trabalhava no bar mas estava sempre atenta à cabine. A discoteca é o local onde as pessoas se divertem e nós proporcionamos esse divertimento.

- O que é que a fascina na noite?

- O mistério, o lado que as pessoas mostram e que de dia não se vê. O álcool faz com que as pessoas se revelem, mas isso faz parte da noite e não é para ser levado muito a sério. É o sítio onde afogam as suas mágoas e o meu trabalho como DJ é proporcionar uma boa noite, um sorriso, e isso é gratificante.

- Não a incomoda ter horários diferentes da maioria das pessoas?

- Nada. Gosto de ter o dia todo livre para fazer o que entender, não ter de colocar o despertador para uma hora fixa, andar ao contrário do trânsito. Não sei o que são filas e stress. Sou uma privilegiada. Adoro o que faço.

- Mas a noite é também difícil de conciliar com uma vida familiar, com filhos…

- Tudo na vida tem um preço. Se eu ficar grávida, trabalho no máximo até ao quarto mês, porque torna-se complicado fazer viagens e estar em ambientes de fumo, além disso fico mais três ou quatro meses em casa depois do bebé nascer. É quase um ano fora. Como as coisas estão, é difícil estar fora e conseguir voltar. Mas também não faço tensões de ser mãe solteira. Não há o príncipe encantado, mas há-de haver aquela pessoa que se vai adaptar à minha vida, que me vai entender como eu sou, que não vai esperar que eu esteja sempre em casa de avental. Acho que tenho um papel masculino nesta sociedade. Sou eu que nunca estou em casa, que viajo a toda a hora...

- Até agora ainda não encontrou ninguém que compreendesse a sua profissão?

- Não… mas eu também não abdico da minha vida e da minha liberdade por homem nenhum. Amar é partilhar tudo e apoiar. Quem ficar comigo vai ter de entender e respeitar. Não é fácil, porque a nossa mentalidade é fechada em relação a isso. Tem de ser uma pessoa com uma mente muito aberta.

- Teve uma relação assumida com o antigo futebolista Dani. Foi devido à sua profissão que as coisas acabaram?

- Foi devido a feitios incompatíveis, e há outra coisa: eu não tenho jeito nenhum para ser uma mulher submissa e isso em todas as minhas relações foi complicado. Tenho uma personalidade muito forte.

- Neste momento está solteira?

- Vou namorando, como costumo dizer.

- Tem adiado o sonho da maternidade porque ainda não encontrou o pai ideal para o seu filho?

- Sim, um dia em que encontre a pessoa que goste de mim como sou, com este feitio, com o meu trabalho e os meus horários, as coisas correm melhor.

- Ainda sonha com o casamento?

- Não. Já não acredito em príncipes encantados e nesse tipo de coisas que me diziam quando era pequena. Não é o papel que vai modificar nada. O casamento é mais um negócio. Preferia ter um filho primeiro e casar depois e fazer uma celebração do nosso amor. Além disso, não podia convidar a minha família toda, porque é enorme. Acho que fazia uma coisa muito rápida, numa praia, com poucos amigos. Pensava nisso quando era miúda e muito romântica.

- A sua família não a pressiona?

- Não. A minha família sempre me deixou fazer o que quis e apoiou-me bastante. Temos uma relação muito aberta. Sempre falei de tudo com os meus pais. Quando comecei a fumar, a minha mãe comprou--me logo cigarros e disse para eu não aceitar coisas da rua. Não há segredos.

- Já foi considerada a DJ portuguesa mais sexy, mas rejeita esse tipo de títulos...

- É verdade. Eu não gosto de falar de ninguém sem conhecer ou criticar e fazem-me isso. Se as pessoas soubessem o ser que sou... Adoro animais, apoio causas, vivo para a família... A imagem conta muito, mas não pode valer mais do que o talento. Vou ser muito sincera: em qualquer parte do Mundo estaria melhor do que onde estou agora, com a imagem e com o trabalho que tenho. Aqui, as pessoas não ficam felizes com o sucesso dos outros, não há apoio.

- Sente que há muita inveja à sua volta?

- Sinto. Eu não tenho medo de dizer que uma mulher está bem vestida, não me vai tirar nenhum pedaço. Tem a ver com insegurança e como eu não sou insegura, não invejo ninguém. Em Portugal, se sou gira não toco bem. A verdade é que sou muito lutadora, trabalho desde os 16 anos para não incomodar os meus pais. Não tenho de pedir desculpas por ter olhos azuis e ter uma boa imagem.

- O facto de ser bonita já lhe trouxe dissabores na noite?

- Muitos. Por ser gira tenho de trabalhar mais ainda. Sou mulher, estou no meio de homens e não recebo palavras de incentivo. Por outro lado, acho que peco muito por ser como sou. Sou muito terra a terra e, hoje em dia, dizer-se o que se pensa é um defeito.

- Acha que vivemos num mundo cínico?

- Muito. Eu não fico com coisas pendentes e ando a falar pelas costas, não é o meu feitio. Como sou frontal incomodo muita gente. A minha luta é adaptar-me ao mundo como ele está agora. Não é fácil e não gosto.

- Li que considera que ser justa é a sua principal virtude...

- Sim, a Balança é símbolo da Justiça. Sou muito justa, ponho-me sempre no lugar dos outros. Ninguém é perfeito e toda a gente falha.

- Já foi alvo de uma grande injustiça?

- De muitas. Todos os dias, infelizmente. Por ter uma boa imagem e ser profissional, muitas vezes não me chamam para trabalhar. Há pessoas que simplesmente me põem de parte porque têm medo do brilho, de ficar abaixo… acho que é muito injusto.

- Mas sente-se bem com a sua imagem?

- Acima de tudo, sinto-me muito bem comigo. Não tenho fantasmas nem assuntos mal resolvidos. A vida para mim não voltou a ser a mesma depois da morte do meu pai, há oito anos, que foi a coisa que mais me custou na vida. Fiquei uma pessoa mais fechada, reservada, sofrida. Já não me surpreendo negativamente com as pessoas, porque já sofri tanto que estou sempre à espera da próxima desilusão.

- Essas injustiças pelas quais passou não a fizeram mudar?

- É muito difícil eu mudar. Sou uma pessoa com uma personalidade muito forte. Não gosto de fazer fretes e sei fingir muito mal, então prefiro ficar mais tempo em casa do que sair por sair, dar beijinhos e abraços que não me interessam.

- Não vive de fachada, portanto.

- Não vivo mesmo. Agora resguardo-me mais ainda. Não consigo ser como a maior parte das pessoas, então fico sossegada no meu canto.

- O que faz nos tempos livres?

- Tenho locais preferidos em Sintra, onde vivi a minha infância, que visito quando estou mais em baixo. Sou uma pessoa muito em paz.

- E que programas faz com amigos?

- Os meus melhores amigos trabalham de dia e torna-se complicado conseguirmos conciliar o tempo para estarmos juntos. Além disso, não tenho os fins-de-semana livres. Mas atenção, não sou noctívaga. Saio à noite para trabalhar e gosto de fazer o meu dia com luz. Adoro que me acordem às 9 horas no Verão e me levem para o Meco, onde passamos o dia inteiro na praia.

- Voltando ao seu trabalho. Pode dizer-se que ser DJ se tornou uma moda?

- Ser DJ está na moda, mas ser DJ não é só ter phones na cabeça, vai muito para além disso. É algo muito trabalhoso, que ocupa muitas horas e exige muito estudo. Tem de se respeitar os colegas que estão nisto há mais tempo.

- E acha que falta esse respeito?

- Falta. Há uma frase que costumo dizer que é: "Ainda não sabem andar e já querem correr". Devemos dar um passo de cada vez e não passar por cima de ninguém e não devemos denegrir a imagem dos outros para que possamos brilhar.

- Porque é que acha que surgiu esta adesão agora? Ser DJ traz fama imediata?

- Culpo muito a televisão. Os concorrentes de programas como a ‘Casa dos Segredos’ saem de lá e dizem que são DJ e que vão pôr música. Levo isso como uma ofensa à nossa profissão. Quem gosta mesmo faz bem feito, tem amor e respeito pelo que faz. Era como eu agora com 35 anos decidir que quero ser modelo. Quem é bom vai continuar a trabalhar mal ou bem, o que é certo é que estes pseudo-famosos aparecem e desaparecem.

- Quando essas pessoas emergem, ‘roubam-vos’ trabalho?

- Sim, claro que sim. É verdade que o que é bom fica, mas enquanto eles vão e vêm, há muitos a ir e voltar e notamos uma quebra no nosso trabalho.

- Esta crise económica que assola o País também se nota na noite?

- Também. Não há milagres. As pessoas tentam cortar em tudo e isso atinge os DJ e as festas. Depois, há o que eu chamo de concorrência desleal. Há pessoas que quase pagam para tocar e dizer que são DJ. Mas o resultado final não é o mesmo.

- Tem tido trabalho a nível internacional?

- Sim. Em Portugal estamos a passar um momento complicado, o que faz com que tentemos procurar mais lá fora. Temos de nos adaptar às situações. Não faz sentido alguns cachets que se praticam e que eu acho ridículos.

- Tem apostado em que países?

- Em vários, mas Angola é a minha prioridade. Fui a primeira DJ feminina a actuar em Luanda, o que é fantástico.

- Foi bem recebida?

- Muito bem. A minha família é de África, nasci na Namíbia. Um mulher de olhos azuis, com boa imagem, a tocar bem e a perceber daqueles ritmos é demais… Sinto-me em casa. Considero-me portuguesa, porque vim para cá muito bebé, mas tenho um fascínio muito grande por África.

- Chegou a Portugal com oito meses. Porque é que a sua família decidiu mudar-se?

- Antes do 25 de Abril vivíamos na África do Sul e viemos de férias em 1975, porque a maior parte da família estava cá. Na altura, os meus pais decidiram nunca mais regressar à África do Sul. Daí, quando fui fazer o registo do meu nome, que é Iolanda Poppy, não me deixaram. Mas Poppy ficou o nome de casa e achei interessante usá-lo em termos profissionais.

INTIMIDADES

- Quem convidaria para um jantar a dois?

- Johnny Depp.

- Quem é para si o homem mais sexy?

- O Johnny Depp [risos].

- O que não suporta no sexo oposto?

- O egoísmo.

- Qual é o seu maior vício?

- A música, sem dúvida.

- Qual foi o último livro que leu?

- ‘O Segredo do Anel’, de Kathleen McGowan.

- O filme da sua vida?

- ‘A Vida É Bela’.

- Cidade preferida?

- O Rio de Janeiro. Vivia lá para o resto da vida.

- Um desejo?

- Ser mãe.

- Complete. A minha vida é...

- Fantástica.

PERFIL

DJ Poppy nasceu há 35 anos na África do Sul. Mudou-se para Portugal com apenas oito meses. Começou a trabalhar como barmaid aos 18 anos e deu os primeiros passos como DJ há uma década.



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