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Francisco Corte-Real: "Não sou uma pessoa que se apaixona facilmente"Confissões: 23.7 - 10h Por: Sofia Rêgo

Francisco Corte-Real começou a usar brinco aos 13 anos, por influência do pai. Aos 18 foi seleccionado para os ‘Morangos' e fez-se actor. Com fama de galã e sedutor, Francisco fala da mãe, que adora, diz que acredita no destino e que já perdeu a vergonha e um pouco da ingenuidade.

- É verdade que lida mal com a fama que tem, de ser um sedutor?

- Não sou apologista de rótulos, mas como não é ofensivo... Não quero é ficar associado a uma imagem, prefiro ficar conhecido pelo meu trabalho e pela minha maneira de ser.

- Mas o rótulo de sedutor deve-se às personagens que tem interpretado...

- Suponho que sim. Apesar de o ‘Duarte', que interpreta em ‘Anjo Meu', até fugir um pouco a essa imagem de galã, porque é um inconformado. Um artista, e não se preocupa com a imagem.

- Já terminou as filmagens de ‘Anjo Meu'?

- Já. A minha personagem e a da Joana Duarte saíram na mesma altura, porque a autora achou que o tempo de vida destas personagens chegara ao limite.

- Então não saiu por causa da peça que vai estrear no Auditório Eunice Muñoz, em Oeiras?

- Não. O convite do Celso Cleto para esta peça surgiu quando eu já estava a gravar os últimos episódios da novela.

- E que peça é esta?

- Chama-se ‘Casa de Pássaros', é do Jaime Rocha, e é interpretada por mim e mais três actrizes, a Rita Cleto, a Rita Simões e a Alexandra Leite, que é a protagonista. É uma história de uma senhora que vive isolada e que vai receber a visita da filha e do namorado da filha...

- O Francisco é o namorado?

- Sou. Depois gera-se um conflito, porque a mãe, ao ver-me, relaciona-me com um amor do passado; e então há um pouco de loucura, há uma criada que é estranha, e há liberdade para o espectador tirar a sua conclusão no final.

- É a segunda vez que o Francisco sobe ao palco.

- Exacto. O teatro é, de facto, muito mais exigente, e daí a paixão da maioria dos actores. Eu nunca fiz cinema mas, pelo que sei, é outra linguagem. Na televisão estamos mais protegidos, na voz, com os microfones, no corpo, com os planos. Aqui no palco estamos expostos.

- Prefere o teatro?

- Ainda tenho uma carreira muito curta para poder dizer isso. Gosto de teatro e televisão, e este tempo de ensaio para mim foi um autêntico curso. Enquanto estava a ensaiar parecia que estava nas aulas, estou a aprender todos os dias, e isso faz com que me torne mais completo, com que evolua. Tem sido uma experiência óptima mas eu gosto muito de fazer televisão. Foi naquilo que eu trabalhei mais e basta ficar uns tempos sem fazer televisão para ficar cheio de saudades.

- E é na televisão que se ganha mais dinheiro?

- Claro. E na situação em que o País está, em que os apoios das câmaras e dos governos não chegam... O teatro, hoje, vive muito de projectos que se alimentam. Às vezes a televisão é um balão de oxigénio.

- Mas ainda não é desta que vai interpretar um vilão, como gostaria.

- Gostava de ter um personagem mais problemático. Pelo desafio, para me testar e para sair um bocado desse rótulo de galã e sedutor. Acho que um actor quanto mais versátil melhor. Gostava de tentar interpretar um personagem com alguma deficiência ou um vilão, ou qualquer outra coisa que fuja ao que tenho feito.

- Por serem personagens mais exigentes?

- Sim. Obrigam-nos a trabalhar um bocadinho fora daquilo que somos. Na peça que fiz, no Teatro da Trindade, fazia três personagens, uma delas era um cego, e durante esse tempo eu observava as coisas de outra forma.

- Isso mudou-o como pessoa?

- Sim, abre sempre os horizontes. Mas fiquei surpreendido com a capacidade que eles têm. Eu fui à ACAPO e todas as pessoas que lá estavam eram cegas, mas aquilo funcionava normalmente, como outra associação qualquer.

- O Francisco é envergonhado?

- Já perdi um bocadinho a vergonha.

- E é por vergonha que sorri tanto?

- Eu sorrio muito?! É engraçado, porque há quem diga que eu sorrio pouco.

- Quando diz que espera "ter feito a melhor opção ao escolher ser actor", quer dizer que teme o desemprego?

- Realmente, é um mercado um pouco sobre-lotado. Inclusivamente, há muitos miúdos que saem do Conservatório e existem muitos jovens actores com o meu perfil. Além dos actores mais conceituados que estão parados. Pela minha mãe [a actriz Teresa Côrte-Real] sei as dificuldades da profissão mas, ao mesmo tempo, é aquilo que eu gosto de fazer, e é óptimo quando fazemos o que gostamos. A longo prazo, talvez gostasse de trabalhar noutra área, como a realização.

- Já falou da sua mãe. Pede-lhe dicas?

- Claro. A minha mãe é a minha melhor amiga, a minha confidente, conselheira... Ela sabe sempre das coisas em primeira mão, quer o meu melhor, tem muita experiência nesta área, portanto é com certeza uma pessoa muito importante para mim.

- E ouve os conselhos dela?

- Óbvio que sim. Já passou um pouco a fase do choque, do conflito. Agora, muitas vezes estamos em concordância, e eu também lhe dou força e conselhos. Temos uma relação de grande sintonia, uma relação de adultos.

- O Francisco é vaidoso?

- Q.B. [quanto baste], como qualquer pessoa. Gosto de não ter a minha auto-estima a bater no chão mas nada de exageros.

- Já mudou alguma coisa em si desde que é actor?

- Não mudei o nariz nem pus maminhas [risos]. Mas tenho o apoio de uma clínica e há coisas para homens, como a depilação a laser...

- Não gosta de pêlos?

- Não sou grande fã. Na barba ainda vá mas, de resto, se pudermos ter ajudas estéticas... Acho que não faz mal a ninguém. Mas não sou a favor de alterações profundas do corpo, se é assim que somos, é assim que devemos manter-nos. Agora, se há a possibilidade de retocar algumas coisas para nos sentirmos melhor, ou até por causa de trabalho.

- E os brincos, usa-os por que motivo?

- O do lado esquerdo, tenho-o desde os 13 anos.

- Por rebeldia, por piada?

- Achei piada, e também por influência do meu pai [Luís] e de um primo, que é mais velho e com o qual tenho grande proximidade.

- O seu pai usa brinco?

- Usava, agora já não. E na orelha direita, surgiu porque dá um ar mais equilibrado, fica mais simétrico.

- E porque transmite uma imagem de ‘bad boy'?

- Não. Nos trabalhos não uso brincos, assim sempre dou um toque mais meu, já que não posso encher o corpo de tatuagens...

- Tem tatuagens?

- Não tenho mas gosto. Mas, como é uma coisa que fica para sempre, não pode ser feita de ânimo leve. Para mim, teria que ser sobre alguma coisa que tivesse muito significado e sobre a qual eu nunca me arrependesse. Muito possivelmente, se fizer será sempre associada à minha mãe. Mas se tiver um braço tatuado não tenho hipótese de fazer um trabalho de época.

- E é verdade que tem dificuldade em interessar-se por alguém a sério?

- Eu sou assim. Tem a ver com o meu percurso, com as pessoas que conheço, com as experiências que já tive. Não tenho facilidade em identificar-me ao ponto de me interessar, de me cativar e de querer algo mais.

- E desde que é conhecido é mais difícil?

- Acho que sempre fui assim. Mas desde que sou conhecido e passei por uma série de experiências... Também não sou tão ingénuo como era. Não sou uma pessoa que se apaixona facilmente, sou mais racional, crio barreiras.

- Não se envolve...

- Não me envolvo com facilidade. Mas quando me envolvo as coisas acabam por ter alguma durabilidade e acabam por fazer sentido. Quando as pessoas valem a pena, as coisas acontecem mesmo.

- É observador?

- Sou, e creio nas energias, nos karmas e nos universos... Nós somos muito as pessoas que estão à nossa volta, as pessoas que nos rodeiam e as nossas experiências e vivências. Eu encaro a vida da forma mais simples possível e acho que as coisas acontecem por alguma razão.

- Acredita no destino? E acha que as pessoas não se encontram por acaso?

- Exactamente, tal como acredito que a maneira de ser de cada um e a sua postura, ou seja, se fizermos as coisas de forma correcta, acabamos por ser compensados.

INTIMIDADES

- Quem gostaria de convidar para um jantar a dois?

- Não pode ser uma cerveja a dois?! Gostava de convidar o José Mourinho. Gosto de futebol, sou do Benfica, e acho que ele tem um dom e está na área certa.

- Não consigo resistir a...

- Chocolate. Gosto de qualquer um, mas quanto mais escuro melhor.

- Se pudesse o que mudava em si, no corpo e no feitio?

- No feito, gostava de ser mais paciente e menos impulsivo. E, no corpo, gostava de ter menos pêlos no peito.

- Sinto-me melhor quando...

- ... estou um dia inteiro na praia.

- O que não suporta no sexo oposto?

- A tendência para a intriga.

- Qual é o seu pequeno crime diário?

- Comer chocolate.

- O que seria capaz de fazer por amor?

- Seria capaz de fazer 20 flexões [risos].

- Complete. A minha vida é...

- ... a minha escola.

PERFIL

Francisco Filipe Côrte-real de Carvalho Lopes Nasceu há 24 anos em S. João do Estoril, Cascais. Filho único da actriz Teresa Côrte-Real, inscreveu-se em ‘castings' para ganhar dinheiro e foi seleccionado para os ‘Morangos com Açúcar', TVI, quando tinha 18 anos e estava no primeiro ano da licenciatura em Relações Públicas e Publicidade. Abandonou o curso para seguir representação e já participou em ‘Tu e Eu', ‘Casos da Vida', ‘Intensidade Suave', ‘Equador', ‘Olhos nos Olhos' e ‘Meu Amor'.



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