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Paula Lobo Antunes: “Sou muito introvertida e tímida”Confissões: 26.5 - 10h Por: Sabrina Hassanali

Paula Lobo Antunes assume que só tira a máscara quando está com pessoas da sua confiança, mas garante que é transparente. Diz que mede bem as palavras porque não gosta de magoar. E confessa que é muito supersticiosa, uma herança da avó.

- Nasceu e viveu até aos cinco anos em Nova Iorque e tem dupla nacionalidade – americana e portuguesa. Sente-se em casa nos EUA ou em Portugal?

- Não sei dizer... Essa foi uma das perguntas que me fizeram quando me candidatei ao curso de teatro em Londres. Contei a história da minha vida e um dos jurados perguntou-me: "Então, onde é a sua casa? Não tem casa?". Eu respondi-lhe, ‘o meu lar é onde eu estiver’. Acho que nunca senti que pertencesse a algum sítio específico. Tenho dupla nacionalidade, mas só tratei do meu passaporte português quando fui ao Brasil para fazer ‘A Escrava Isaura’, há cerca de oito anos.

- Tem memórias do tempo em que viveu em Nova Iorque?

- Vou-me lembrando de algumas coisas, lembro-me, por exemplo, do meu primeiro dia de escola, passei o tempo todo a chorar.

- Porque odiava a escola?

- Era tímida, muito introvertida...

- Ainda é?

- Sou. De vez em quando é importante tirar esta capa de introvertida e pôr outra, vou-me moldando consoante as pessoas e as situações, mas sou muito introvertida e tímida.

- Usa máscaras para as diferentes situações. Só em casa é que é genuína?

- Sou genuína quando estou perante pessoas de confiança, de família, com os melhores amigos, enfim, com pessoas com quem sei que me posso abrir. Mas, ao mesmo tempo, sou muito transparente, por mais que tente disfarçar as pessoas acabam por perceber o que sinto. Por isso, vou tentando defender-me, protegendo--me consoante as situações. Em termos profissionais, por exemplo, crio uma capa bastante rígida, não sou muito dada. Sou uma pessoa que quando vai trabalhar preocupa-se em fazer um trabalho bem feito, sou bastante exigente.

- Tirou Biologia Médica em Edimburgo [Escócia]. É uma paixão ou tirou por influência da sua família?

- Não é uma paixão e também não foi um curso imposto pela família. Foi um pouco o caminho que é suposto seguir: ir para a faculdade, tirar um curso e ir trabalhar.

- Mas era boa aluna...

- Sim, sempre fui boa aluna, mas isso faz parte do meu carácter, sou perfeccionista. Além disso, as minhas duas irmãs mais velhas eram excelentes alunas e, por isso, eu não podia ficar atrás.

- Era competitiva?

- Era, mas nunca fui tão boa quanto elas. A minha irmã mais velha é ‘estupidamente’ boa aluna, ‘estupidamente’ inteligente e eu não poderia chegar a esse nível.

- Sentia-se inferior a elas por não estar ao mesmo nível?

- Eu tinha um problema, era disléxica, trocava os B e os D. Ainda me acontece. Nessa altura, as minhas irmãs chamavam-me por brincadeira Kuala em vez de Paula. Na altura esse problema não era bem diagnosticado, hoje já existem mais meios. Nos meus primeiros anos de escola tinha dificuldade em escrever, dava erros ortográficos e passava por burra…

- Isso marcou-a?

- Inicialmente sim. Eu andava numa escola inglesa cá em Portugal e tinha aulas para alunos especiais, eu era retirada da minha sala para ter aulas extras destinadas a pessoas, digamos assim, menos dotadas. Nessa altura tive muita vergonha, senti-me triste e pensava: ‘o que se passa comigo? Será que sou burra?’. Mas consegui superar isso e acabei por me tornar na melhor aluna da minha aula. Hoje, olho para trás e rio-me.

- Depois de tirar Biologia Médica decidiu fazer o curso de representação em Londres. Quando surgiu o desejo de ser actriz?

- Eu quis ser actriz desde que me lembro, desde criança... Os meus avós tinham uma câmara de filmar gigante Betamax e eu pedia-lhes para fazerem filmes comigo a dançar e a fazer peças. E também fazia teatrinhos sozinha.

- Tem boas recordações de Londres?

- Os três anos que passei em Londres foram os mais felizes da minha vida.

- Porquê?

- Porque estava a descobrir coisas novas sobre mim própria que eu rejeitava, como a timidez e essa solidão que eu tinha. Comecei a descobrir como sair dela, como usar certas emoções que no meu dia-a--dia não uso e não demonstro. Num actor é essencial ter acesso a todas as suas emoções para as poder usar nas personagens.

- Começou como Paula Plantier...

- Porque um dos primeiros exercícios que tivemos de fazer, em Londres, era subir ao palco e dizer o nosso nome. Eu cheguei e disse: "Hello, my name is Paula Lobo Antunes." Ficaram todos a olhar para mim, disseram-me que parecia um nome hispânico e que não condizia comigo porque eu não tinha um ar hispânico. Aconselharam-me a ter um nome que fosse mais fácil de pronunciar, porque quando chega uma fotografia às mãos de um realizador com um nome que eles não conseguem pronunciar, deitam-na fora. Tem de ser, por isso, um nome fácil de pronunciar e que se associe bem à cara que se vê. Eu, como sou loira e de olhos azuis, mudei para o nome da minha mãe, que é Plantier. Registei-me nos sindicatos com esse nome.

- É mais razão do que coração...

- Sou, sem dúvida.

- Reprime as suas emoções?

- Quando tem de ser, às vezes é preciso. Eu queria ser médica e cheguei à conclusão que sou sensível demais para o ser, porque se alguma vez eu tivesse de dizer a um doente que alguma coisa não tinha corrido bem, acho que não iria conseguir...

- Não consegue ser frontal?

- Tenho medo de magoar. Meço as palavras porque um dos meus mandamentos pessoais é ser impecável com a palavra, porque ela tem um poder inimaginável e eu fui aprendendo isso, que se tem de ter cuidado com aquilo que se diz porque as palavras podem ser muito perigosas.

- Também é reservada quanto à sua vida privada...

- É a minha maneira de ser. Tem a ver com o facto de eu ser uma pessoa reservada, introvertida. Gosto de partilhar o meu trabalho, imensamente, agora a minha vida privada e social é minha, não é para partilhar.

- Se lhe perguntar se está a pensar em casar com o seu companheiro [Jorge Corrula], responde?

- Não respondo porque também envolve outra pessoa e não me sinto no direito de falar sobre isso. Se ele estivesse aqui ao meu lado, a responder ao mesmo tempo, talvez a conversa fosse outra.

- Não falando da pessoa, o casamento é um objectivo?

- Já casei, já me divorciei. Foi uma coisa que já fiz.

- Quer dizer que é só uma questão de experimentar...

- Não, acho que tem de ser uma coisa muito verdadeira e muito sentida. É um pacto, um contrato, é muita coisa, já o fiz. Na altura, fiz com intenções de ser para sempre, mas não foi assim que aconteceu. Hoje, pergunto-me para quê ter um papel assinado? Por causa das Finanças? Para mim não faz muito sentido. Por isso, acredito mais nas promessas pessoais que um casal faz um ao outro e as demonstrações que faz no dia-a-dia do que a assinar um papel. Não sei se voltarei a casar, não faço ideia, não consigo prever.

- Mas pode fazer planos, como por exemplo para ser mãe...

- Para um actor é difícil fazer grandes previsões, porque o trabalho é escasso e estamos sempre à espera do próximo trabalho, de ouvir o telefone tocar, de saber quando vai ser o próximo casting, temos de ter isso em conta...

- Então nunca há tempo para ser mãe...

- Se acontecer, aconteceu, aí terei outras prioridades, mas não é uma coisa que planeie. Quando calhar, calhou…

- Mas gostaria?

- Não sou daquelas mulheres que diz que não quer ter filhos. Nos EUA, é moda contratar barrigas de aluguer. Muitas actrizes fazem isso.

- Nunca encararia essa hipótese?

- Não digo nunca a nada, não é coisa em que pense. Já pensei em adoptar, por exemplo.

- Adoptar?

- Sim, já pensei em adoptar. Há tantas crianças abandonadas em situações tão graves. Não tenho disponibilidade para isso, mas é uma coisa que eu acharia lindo fazer. Gostaria de fazer nem que seja um ‘sponsor’ [apadrinhar uma criança].

- Tem preocupação com a imagem, faz dietas?

- Tenho cuidados, mas não excessivos e a única dieta que faço é não comer carne.

- Porquê?

- Porque quando eu estava a tirar Biologia Médica, nas minhas aulas de anatomia passávamos muitas horas com cadáveres e a carne humana é igual à carne que comemos e, aos poucos, fui deixando de comer carne. Como peixe quando tem de ser. Gosto mais de comida vegetariana.

- Alguns actores são supersticiosos. Também é?

- Sou muito. Herdei da minha avó e o pior é que cada vez vou aprendendo novas superstições.

- Isso não torna a vida infernal?

- Não, é uma graça. Eu não passo por baixo de uma escada, benzo-me quando passo por um cemitério. Perguntam-me ‘o que aconteceria se não te benzesses?’. Nada! Mas eu gosto.

- Foi cantar no programa ‘A Tua Cara Não me É Estranha’. Gosta de cantar?

- Consigo cantar, mas não sei se tenho boa voz. Não gostava de ser cantora, mas gostava de fazer um musical.

INTIMIDADES

- Quem convidaria para um jantar a dois?

- O Eddie Murphy, sou fã dele, principalmen-te quando ele fazia stand-up comedy. Adoro rir.

- Quem é para si o homem mais sexy?

- Christian Bale. Tem um talento infinito e, para mim, é o que é mais sexy.

- O que não suporta no sexo oposto?

- Arrogância. Não suporto homens convencidos nem machistas. Gosto de cavalheiros, mas não preciso que me abram a porta.

- Qual é o seu maior vício?

- Café

- Qual foi o último livro que leu?

- ’Como Organizar Portugal’, de Fernando Pessoa.

- O filme da sua vida?

- ‘Grease’.

- Cidade preferida?

- Nova Iorque, onde nasci. É o meu berço.

- Um desejo?

- Ser feliz

- Complete. A minha vida é...

- Uma montanha-russa.

PERFIL

Paula Lobo Antunes, de 36 anos, é filha do cirurgião João Lobo Antunes e de Ana Maria Plantier Couvreur de Oliveira. Sobrinha do escritor António Lobo Antunes, viveu até aos cinco anos em Nova Iorque e veio depois para Portugal. Estudou representação em Londres, mas faz carreira no nosso País. Foi casada com Oliver Burns e vive com o actor Jorge Corrula.



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