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Pedro Fernandes: “A minha mulher é o meu pilar” Confissões: 28.4 - 10h Por: Sofia Martins Santos

Aos 33 anos, Pedro Fernandes considera-se um homem feliz. Realizado no campo profissional e pessoal, admite que a força para enfrentar o Mundo lhe é transmitida pela mulher.

- É novamente apresentador do programa ‘5 Para a Meia-Noite', da RTP. Como está a correr?

- O ‘5 Para a Meia-Noite' é, neste momento, o meu projecto de vida. Fico sem tempo nenhum para me dedicar a outras coisas, mas gosto muito do que faço. Apenas tenho pena de não ter muito tempo para a família. Este é um formato que acaba por me consumir muito. Há dias em que apenas consigo dormir cerca de três horas.

- Porquê?

- Escrevo o meu próprio programa e para isso é necessário conseguir encontrar novas ideias todos os dias. Há dias em que tenho de acompanhar a edição de todos os sketches e escrever os guiões, o que acaba por me roubar o tempo todo. Muitas vezes, as pessoas não têm noção do trabalho que está por detrás do programa.

- Acha que as pessoas pensam isso porque apenas apresenta o programa uma vez por semana?

- Acho que sim, porque as pessoas não sabem que os programas são totalmente feitos por nós. Além disso, é um programa que exige que se dedique muito tempo à actualidade, para estarmos prontos para qualquer tipo de conversa. Eu apenas consigo descansar ao sábado.

- Como é que faz a selecção dos seus convidados?

- Há vários critérios e o primeiro deles é ter alguma curiosidade de conhecer melhor quem vou entrevistar, mesmo que não seja particularmente fã do seu trabalho. Além disso, há aquelas pessoas que merecem ser convidadas por terem projectos muito actuais.

- É difícil fazer essa escolha?

- Sim, é sem dúvida uma escolha muito difícil. Além disso, chega-se a um ponto em que é difícil não repetir os convidados, até porque em Portugal não há assim tantas pessoas conhecidas. Por isso, decidi mudar um pouco as coisas durante esta temporada.

- O que vai mudar?

- Decidi convidar pessoas que têm histórias giras para contar. Por exemplo, há o caso de uma senhora que garante conseguir viver com pouco mais de mil euros por ano, porque tudo funciona como um sistema de trocas. Acho que são histórias que merecem ser ouvidas.

- Já teve algum convidado particularmente difícil?

- Sim. Normalmente, quando convidamos alguém para o programa pensamos que as pessoas estão a ir porque querem. Mas há aqueles que chegam lá e depois parece que estão ali a fazer um favor a alguém, apesar de no fundo ser exactamente o contrário. Trazer alguém ao programa é uma forma de dar essa pessoa a conhecer ao público.

- Acontece muitas vezes?

- Não, é uma minoria. No geral, vão ali para se darem a conhecer mais ao público e para se divertirem.

- Já teve alguma situação mais complicada?

- Tive uma que suscitou muita dúvida nos espectadores e foi com a Ana Bola [actriz]. Não a avisaram da hora e ela chegou muito cedo ao estúdio. Quando o programa estava para começar, ela já só queria ir embora.

- Fazer televisão não estava nos seus planos...

- Não, nem de longe nem de perto. Tirei o curso de Publicidade e Marketing e trabalhei durante dez anos numa agência de publicidade. Já tinha tido alguns contactos com a criação de sketches, mas nunca pensei chegar à televisão.

- Como é que as coisas aconteceram?

- Encarei isto sempre como um hobby e durante muito tempo fazia as duas coisas em simultâneo. Muitas vezes até pedia para chegar mais tarde ao trabalho. Já apresentava o ‘5 Para a Meia-Noite' e ainda estava nessa empresa, mas era muito complicado chegar a horas ao trabalho.

- Em que momento decidiu deixar de trabalhar nessa empresa?

- Quando percebi que quando era preciso eu não conseguia lá estar. Além disso, houve um dia em que fui gentilmente convidado a rescindir o meu contrato por mútuo acordo.

- Alguma vez se arrependeu da decisão que tomou?

- Não, até agora não foi uma coisa da qual me arrependesse.

- Foi uma altura complicada?

- Sim, porque confesso que tive algumas dúvidas. Já estava há dez anos na empresa e tinha um ordenado fixo, ao contrário dos recibos verdes que tenho agora.

- Passou para uma situação mais instável...

- Claro que sim. Trabalho seis meses mas depois nunca sei o que vai acontecer. Estou naquela fase da formiga, que amealha no Verão para no Inverno ter com o que se orientar.

- É um homem de muitos luxos?

- Não. Tenho muito poucos, até porque estou muito consciente desta minha situação.

- Mas perde a cabeça com alguma coisa?

- Por vezes, acabo por gastar algum dinheiro com gadgets e roupa. Mas, nesta nova fase, tenho a sorte de ser patrocinado por marcas que também me oferecem muita coisa. Sem ser isto, apenas gasto dinheiro com a decoração da minha casa.

- É o Pedro quem decora a casa?

- Sim, tenho esse lado. Geralmente, sou eu que tomo a iniciativa de comprar as coisas lá para casa e gosto mesmo muito de o fazer.

- A sua mulher [Rita, psicóloga] normalmente aprova as suas escolhas?

- Sim, nós temos os gostos muito parecidos e, quando levo algo novo para a nossa casa, ela fica muito contente.

- Considera-se um profissional bem remunerado?

- Para o número de filhos que tenho agora, sim. Mas confesso que se tiver mais um as coisas complicam-se.

- O que recebe compensa o tempo que não está com a sua família?

- Eles estão preparados para não me verem tantas vezes. Como não temos os mesmos horários, não estamos juntos tanto tempo como gostaria, mas não é nada que não se ultrapasse.

- No fundo, prejudica a sua vida pessoal...

- Um pouco, sim. Mas acabo sempre por compensar quando tenho tempo. As minhas férias, por exemplo, são completamente dedicadas a eles [mulher e filho Tomás, de quatro anos]. Até agora, tenho conseguido manter o equilíbrio familiar.

- A sua mulher é o seu grande pilar?

- Sem dúvida. Se não tivesse esse pilar acho que já me tinha desorganizado completamente. Se ela não me apoiasse, as coisas não me iam correr tão bem. Mas não posso dizer mais nada, porque ela depois vai derreter-se.

- Costuma fazer-lhe declarações de amor?

- Sim e adora. É meio caminho andado para me tratar bem durante um mês [risos].

- O seu filho entende a sua ausência?

- Como ele cresceu já com as minhas ausências, acho que se habituou.

- Mas sente que não está a ser um bom pai?

- Sim, há alturas que sim. Às vezes, sinto mesmo que não estou a dar o que devia. Mas o ‘5 Para a Meia-Noite' tem um horário muito próprio e eu tenho de respeitar. Até porque, apesar de tudo, é uma faixa horária na qual me dou bem. No fundo, há umas coisas que compensam as outras.

- O Tomás acompanha o seu trabalho?

- Só acompanha quando estou a trabalhar em casa, porque o programa não vê. A essa hora está a dormir. Ele próprio diz que quer trabalhar na televisão como o pai.

- Gostava que isso acontecesse?

- Não penso nisso. Ele ainda é muito pequenino e pode mudar de ideias. De qualquer forma, ele vai ser o que quiser. Eu quando era pequeno não pensava trabalhar em televisão.

- O que queria ser?

- Sonhava ser jogador de futebol. Joguei federado no Desportivo Domingos Savio [clube de Lisboa] e lembro-me de que os meus avós me davam dinheiro por cada golo que eu marcasse. Na altura, consegui ser o melhor marcador da minha equipa e cheguei a fazer treinos de captação no Sporting, mas magoei-me e a minha carreira acabou aos 16 anos.

- Ter um filho mudou-o muito?

- Quando ouvia as pessoas falarem de filhos, não percebia muito bem o que queriam dizer com amor incondicional, até ter o meu filho nos braços. É um sentimento indescritível.

- Pensa em ter mais filhos?

- Penso muito nisso. A minha mulher vem de uma família muito numerosa e eu sempre achei muita piada, mas para já ainda não pode ser, porque não temos condições.

- Tem medo de alguma coisa?

- O único medo que eu tinha era da morte, mas depois de um dos meus avós morrer comecei a encará-la como algo mais leve. Hoje em dia, acho que pode ser a passagem para outra vida.

- O medo que sentia da morte era algo que o angustiava?

- Sim, tinha muito medo que isso me acontecesse e sonhava muitas vezes com a morte. Não por ter passado por alguma coisa má, mas porque era algo desconhecido.

- É um homem de muitos amigos ou de muito conhecidos?

- Tenho a sorte de ter muitos amigos e de conseguir fazer com que alguns conhecidos se tornem amigos também.

- Quem são as pessoas que mais o criticam?

- O meu pai e a minha mulher. Mas são comentários que servem apenas para me fazer ser melhor a cada dia que passa.

- Entretanto, é um dos rostos do evento de música da Adidas que se vai realizar no Lx Factory...

- Sim, é verdade e estou muito animado. 

INTIMIDADES

- Quem convidaria para um jantar a dois?

A minha mulher, claro.

- Quem é para si a mulher mais sexy?

- Aqui vou ter de me repetir.

- O que não suporta no sexo oposto?

- O nariz empinado.

- Qual é o seu maior vício?

- Ser feliz e tentar fazer com que os outros sejam felizes.

- Qual foi o último livro que leu?

- Não tenho tido tempo para ler nada. Os meus livros são os jornais.

- O filme da sua vida?

- ‘Regresso ao Futuro'.

- Cidade preferida?

- Lisboa, porque é a minha cidade.

- Um desejo?

- Que a vida me corra bem.

- Complete. A minha vida é...

- Curta. É sempre curta.

PERFIL

Paulo Fernandes nasceu a 16 de Outubro de 1978, em Lisboa. Desde cedo descobriu o gosto pelo humor, mas sempre o encarou como um hobby. Trabalhou em publicidade dez anos. Actualmente, apresenta o ‘5 Para a Meia-Noite', na RTP.



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