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Tiago Aldeia: "Sempre fui um miúdo atinado"Confissões: 24.3 - 10h Por: Vânia Nunes

Tiago Aldeia não gostava de ir à escola e odiava acordar cedo, mas nunca foi rebelde. "Brincar aos teatrinhos" era o que o fazia feliz. Aos 16 anos, o actor entrou nos ‘Morangos’ e nunca mais parou. Actualmente, brilha em ‘Doce Tentação’, da TVI, e no teatro.

- Está em cena com a peça ‘O Libertino’. O nervosismo tem diminuído cada vez que sobe ao palco?

- Há sempre nervosismo, todos os dias. Mas é bom. É sinal de que me preocupo com o meu trabalho. Representar não é uma ciência exacta, depende sempre de nós, de como as coisas correm...

- Qual é o seu maior medo num espectáculo?

- É ter uma branca. Em televisão há sempre a hipótese de cortar, apesar de termos que o evitar ao máximo, já que tempo é dinheiro. No teatro, o que acontece é em directo, e também é aí que está o encanto.

- Já aconteceu esquecer-se do texto?

- Já aconteceu. Foi uma questão de segundos e ninguém percebeu. Confesso que entrei em pânico.

- Tem alguma superstição antes de subir ao palco?

- Sim. Tenho de dizer ‘m...’ a todos os meus colegas e todos têm de me dizer, tenho que pensar em coisas boas antes de começar, e entrar no palco com o pé direito.

- Tem amuletos da sorte?

- Sim. Tenho sempre no meu camarim uma pedrinha com valor sentimental e um búzio.

- Como é que tem sido conciliar a peça com as gravações de ‘Doce Tentação’?

- É puxado. Dizem que quem corre por gosto não cansa, mas é mentira, cansa. Tem é outro gosto. Não poderia deixar de aproveitar esta oportunidade.

- Depois de tantos vilões, tem um sabor especial fazer comédia?

- É verdade, é para compensar o que faço em televisão, que é sempre pesado e denso. Fazer a peça relaxa-me.

- Quando o convidaram para integrar o elenco sentiu-se logo à altura?

- Não, acho sempre que não estou à altura até à estreia.

- Não é uma pessoa confiante?

- Sou demasiado perfeccionista, o que me dá alguma insegurança. Mas também quem não se sente inseguro é sinal de que não se preocupa.

- Já sabe quando é que vão terminar as gravações da novela?

- Neste momento estão a todo o vapor. A última data oficial que nos foi apresentada foi Maio, mas vamos ver se se mantém, porque está a correr muito bem a nível de audiências.

- A sua última personagem, ‘Hugo’, na novela ‘Espírito Indomável’ [TVI] foi muito forte. Foi determinante para consolidar a sua posição no panorama artístico nacional?

- Sem dúvida. Foi um personagem de composição diferente, apaixonado pela própria irmã, assassino, e com alguns problemas psicológicos. Gostei muito de o interpretar e tive um fantástico feedback do público.

- Nos últimos anos tem sido difícil ter tempo para os seus hobbies?

- Está a ser muito difícil... Quando tiver tempo vou-me desforrar. Gosto muito daquilo que faço, por isso não me posso queixar, só tenho que agradecer.

- O que gosta de fazer nos seus tempos livres?

- Gosto de ir ao teatro, ao cinema, de passear, viajar, tirar fotografias, andar a cavalo e, principalmente, comer e beber com amigos.

- Tem muitos amigos?

- Tenho muitos e bons.

- Continua a encontrar-se com os amigos de infância?

- Sim, preservo amigos que conheci em momentos diferentes da minha vida. Mas, na verdade, a minha amizade com os actores que conheci nos ‘Morangos’ já tem dez anos. Crescemos juntos e acaba por ser mais fácil termos uma ligação, porque estamos mais próximos.

- Gosta de sair à noite?

- Sou mais caseiro, mas também gosto de sair e dançar. De qualquer forma, sair à noite é para quem tem tempo e eu não tenho tido. Mas confesso que a parte de sair à noite de que gosto mais é a do jantar. Gosto de estar à mesa com amigos a conversar e a beber.

- Os seus amigos cobram as suas ausências nos momentos de maior trabalho?

- Eles compreendem, mas às vezes queixam-se um bocadinho. O que é bom. É porque gostam de estar comigo.

- Fez no mês passado 26 anos. Como comemorou?

- Normalmente faço grandes jantares, mas este ano não consegui. Não tive tempo de organizar. Os meus amigos foram ter comigo depois dos ensaios da peça e fomos beber um copo.

- Enveredou pela área da representação por influência do seu pai, o actor António Aldeia?

- Um pouco. O meu pai sempre esteve ligado à representação e à produção e desde cedo o acompanhei nas gravações e no teatro. Este mundo sempre me fascinou. Além disso, como nunca soube bem o que queria ser no futuro escolhi ser actor, porque assim posso ser de tudo um pouco.

- Mas ele incentivava-o ou dissuadia-o?

- Não interferia. Apoiou-me sempre em tudo o que eu quisesse fazer.

- Como foi a sua infância?

- Tive uma infância muito feliz. Gostava de brincar e de fazer teatrinhos.

- E da escola?

- Gostava, mas sempre fui muito preguiçoso. Acordar de manhã para ir à escola até me dava dores de barriga. Fingi muitas vezes que estava doente, principalmente no dia em que tinha Educação Física.

- E no secundário, era rebelde?

- Não, sempre fui um miúdo atinado.

- Tinha boas notas?

- Àquilo que gostava, tinha. Ao que não gostava tinha o normal, o básico. Gostava muito de História e Geografia.

- Chegou a entrar na faculdade?

- Fiz o 12º ano e depois cheguei a frequentar o primeiro ano de Sociologia. Não acabei porque estive sempre a trabalhar. Depois entrei para o Conservatório, mas também não segui. Mas fiz vários cursos de interpretação.

- Pretende retomar os estudos?

- Não pensei nisso. Se me apetecer, talvez.

- Já pensou em algum plano B face à representação?

- Felizmente tenho tido trabalho, mas se isso deixar de acontecer posso meter-me no que for. Gosto de aventuras e desafios. Gosto de atender pessoas e tenho mil hipóteses para explorar. Quando for necessário, irei à luta. A fotografia é outra área que me agrada, embora também seja difícil...

- Gostava de ter um contrato de exclusividade?

- Nunca pensei nisso. Não sei se gostava, depende do contrato. Tenho tido sempre trabalho, e o facto de não ter contrato permite-me alguma mobilidade para poder escolher os projectos de que gosto.

- A estabilidade financeira por enquanto não é importante?

- Para já tenho tido sorte, sou um rapaz poupado e organizado. Claro que a estabilidade financeira é importante, mas a liberdade também é. De qualquer forma, a questão do contrato não tem que surgir de mim.

- Sente que é bem remunerado para o seu trabalho?

- Acho que sim.

- Ainda o identificam com o ‘Rodas’, dos ‘Morangos’?

- Acho que vou ser o ‘Rodas’ até aos 50 anos. Foi um personagem que marcou imenso.

- Como é que é a sua relação com os fãs?

- Sou sempre disponível. Ser reconhecido pelo meu trabalho é bom. O reconhecimento é a consequência mais directa de ser actor. Sabe bem que as pessoas gostem de nós e nos digam coisas boas.

- Criou uma página de fãs no Facebook...

- Sim, para estar mais próximo deles. Uma amiga falou-me disso e ajuda-me, porque eu em termos de tecnologias tenho 90 anos.

- Tem curiosidade em pesquisar o seu nome no Google?

- Uma vez falaram-me nisso e fui ver, mas não sou obcecado. Deveria ser mais preocupado do que aquilo que sou.

- Nunca se deixou deslumbrar pela fama?

- A fama vem depois do trabalho. Infelizmente, há muitas pessoas que querem ser famosas, como se isso fosse uma profissão. Eu sou actor e quero continuar a sê-lo, a fama é apenas consequência disso.

- Mudou algum dos seus hábitos desde que é actor?

- Tenho que ter mais cuidado, não posso estar tão à vontade porque posso estar a ser observado, mas é normal, já me adaptei.

- Participou no programa ‘A Grande Aventura’, da TVI, e esteve três dias na Indonésia. Como correu?

- Foi uma grande aventura. Foi um grupo de amigos muito divertido. Nunca teria oportunidade de viver as experiências que vivi se não fosse o programa.

- O que é que foi mais difícil?

- Apanhar 25 quilos de cenouras [risos]. Também foi complicado viver com um euro por dia, sem sanitas, nem chuveiros.

- Teve que comer morcego...

- Provei só um bocadinho. O grande problema deles é que põem picante em tudo e eu odeio. O pequeno-almoço é arroz com picante.

- Em termos pessoais, quais são os seus planos futuros?

- Procuro ser feliz, fazer aquilo que gosto, estar com as pessoas de quem gosto e amar... amar a vida.

- Gostava de ser pai?

- Claro, gostava de ter pelo menos 12 filhos [risos]. Obviamente que é um objectivo, mas ainda tenho tempo.

- Pensou em alguma idade para ter o primeiro filho?

- Não sei, isso é uma coisa que vai surgir de certeza.

- E casar, também é um desejo?

- Eventualmente sim, se encontrar a mulher certa.

INTIMIDADES

- Quem convidaria para um jantar a dois?

- Gostava de convidar a Angelina Jolie, mas depois vinha com o Brad Pitt e com os miúdos atrás. Escolho a Meryl Streep, pela pessoa que é e por admirar imenso o seu trabalho.

- Quem é para si a mulher mais sexy?

- A Penélope Cruz.

- O que não suporta no sexo oposto?

- As dores menstruais.

- Qual é o seu maior vício?

- Chocolate.

- Qual foi o último livro que leu?

- Leio muitos poemas de Fernando Pessoa.

- O filme da sua vida?

- ‘Que Teria Acontecido a Baby Jane’ – é antigo, mas é um clássico, genial.

- Cidade preferida?

- Já estive em várias cidades, e Lisboa é realmente muito bonita. Também adoro Paris e o Rio de Janeiro.

- Um desejo?

- Felicidade sem crise para todos.

- Complete. A minha vida é...

- ... um filme em rodagem.

PERFIL

Tiago Aldeia tem 26 anos e estreou-se em televisão com a série da TVI ‘Morangos com Açúcar’. Depois disso, brilhou em produções como ‘Floribella’ (SIC), ‘Inspector Max’ (TVI), ‘Tu e Eu’ (TVI), ‘Rebelde Way’ (SIC) e ‘Espírito Indomável’ (TVI). Actualmente, integra o elenco da novela ‘Doce Tentação’, da TVI, e está no Teatro da Trindade, em Lisboa, com a peça ‘O Libertino’, ao lado de Maria João Abreu e José Raposo.



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