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Flak: "A guitarra apareceu na minha vida por acidente"Êxito: 28.2 - 10h Por: Miguel Azevedo

Na próxima sexta-feira, o músico apresenta uma nova banda sonora para o épico filme ‘Lisboa Crónica Anedótica’, de 1930.

- Como é que surgiu a ideia de fazer uma nova banda sonora para o filme ‘Lisboa Crónica Anedótica’, de Leitão de Barros?

- Há três anos recebi um convite por parte de um festival de cinema para fazer uma nova banda sonora para este filme, a fim de apresentá-la ao vivo. Na altura compus a música para um quarteto de violoncelo, violino, clarinete e piano, o que acabou depois por dar origem a alguns espectáculos. O Luís Varatojo [músico], que viu uma dessas apresentações no Music Box, em Lisboa, perguntou-me depois se não queria converter esta banda sonora para guitarra, a fim de participar neste ciclo ‘Sexta, Meia-Noite e uma Guitarra’. Ou seja, esta banda sonora já existia, a grande novidade é que vai ser apresentada pela primeira vez em guitarra.

- Música experimental, electrónica, bandas sonoras, música pop. Em qual das áreas se sente mais confortável?

- Gosto muito de andar a saltar de umas para as outras. As bandas sonoras dão-me um gozo especial, porque gosto muito de unir o som à imagem.

- Sabendo que a sua carreira musical começou no liceu, em 1977, com os Crânio, o que recorda dessa altura?

- Recordo que foi no período pós-25 de Abril e que havia muito poucas aulas (risos). Havia muitas greves e passagens administrativas e a escola era uma balda. Por isso, a partir de uma determinada altura, comecei a sentir-me mais motivado para ir tocar bateria para a sala de ensaios de um amigo meu do que em ir para as aulas. Foi a partir de então que foram nascendo as várias bandas que tive.

- E foi nessa fase que apareceu a Xana [vocalista dos Rádio Macau]?

- Sim. Nós experimentámos vários cantores, até que convidámos a Xana, que era uma amiga nossa da escola. Depois fizemos várias bandas até chegar aos Rádio Macau.

- Como é que foi o primeiro encontro com a Xana?

- Acho que da primeira vez que a Xana foi à nossa sala de ensaios (o namorado dela era guitarrista lá) ela devia ter uns 16 anos. Era uma miúda (risos). Como eu sabia que ela gostava de cantar, um dia desafiei-a: "Então e se experimentasses cantar qualquer coisinha?" (risos). Ela gostou da ideia e começámos logo então a ensaiar.

- Estávamos no início dos anos 80. Foi difícil ‘furar’ o mercado à época?

- Não foi difícil, porque nós éramos muito novos e cheios de vontade. Mas fizemos coisas que, provavelmente, hoje já não seríamos capazes de fazer.

- Como, por exemplo?

- Como ir à boleia para o Estoril só para ensaiar. Como não tínhamos transporte e o baterista era de lá, pegávamos nos instrumentos e íamos para a estrada apanhar boleia. Ida e volta. Hoje isso era quase impossível de conseguir (risos).

- E foi fácil conseguir editora?

- Sim. Da primeira vez que fomos a uma editora, que foi a Valentim de Carvalho, fomos logo aceites. Quando eles ouviram a primeira maqueta perguntaram-nos logo se tínhamos mais canções. No fundo, não foi difícil, porque também não havia tantas bandas como há hoje. Não havia muita gente nova que tocasse bem.

- Não deixa de ser notável que os Rádio Macau ainda hoje existam. Como é que vê a longevidade do grupo?

- Nós não existimos com o intuito comercial de sobreviver. Os Rádio Macau só têm lançado discos quando acham que têm alguma coisa para dizer às pessoas.

- Por outro lado, alguma vez estiveram para desistir?

- Não. Todos nós gostamos muito de música e todos nós fazemos outras coisas. Eu, por exemplo, ao final de 30 anos, já arranjei maneira de sobreviver da minha profissão e, por isso, não há necessidade de desistir de nada porque não dependo só deste ou daquele projecto. A vida não nos corre mal.

- A cumplicidade com a Xana é fundamental para que as coisas resultem?

- Sim, claro. Nós somos muito parecidos e muito exigentes e só quando achamos que as coisas estão perfeitas, por exemplo, é que lançamos um disco.

- Falou-se muito de um desentendimento que tiveram em palco há dois anos. Isso abalou a relação?

- Não, isso são daqueles disparates que todos nós fazemos na vida. Mas ficou tudo bem. Eu conheci a Xana ainda ela era uma miúda. A minha mãe e a mãe dela já se conheciam. Lembro-me da Xana para aí com sete ou oito anos. Nós hoje temos uma relação de quase irmãos. De vez em quando há desatinos, o problema é que hoje é tudo gravado (risos).

- Começou por tocar bateria. Como é que surge a guitarra?

- A guitarra apareceu por acidente. O instrumento que eu sempre quis tocar foi bateria. Foi assim que comecei nos Crânio. Só que um dia a nossa sala de ensaios foi assaltada e a bateria foi roubada. Como não tinha dinheiro para comprar outra, decidi começar a tocar guitarra. Foi nessa altura que descobri também que gostava de compor e escrever canções. Hoje a guitarra já faz parte de mim.

- Tinha algum músico na família?

- Não. Eu fui uma estreia. Os meus pais torceram o nariz e houve um período em que eles não percebiam as minhas opções e acabei por sair de casa e tudo. Só quando começaram a sair os discos dos Rádio Macau é que eles compreenderam e começámos outra vez a dar-nos bem.



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