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Rufus Wainwright: “Se dissesse que sou um pai perfeito ou seria tonto ou estaria a mentir”Êxito: 02.6 - 10h Por: Miguel Azevedo

Rufus Wainwright actua dia 7 no Coliseu de Lisboa e no dia 8 no Festival Optimus Primavera Sound, no Porto. O Pretexto para falar do novo disco, de Portugal e de... fado.

- O que podemos esperar deste seu regresso a Portugal, sobretudo quando pensamos no Rufus Wainwright em ambiente de festival [Optimus Primavera Sound]?

- Toda a gente está à espera de uma grande festa e é isso que vamos fazer. Estou a preparar um espectáculo muito positivo, ideal para os ambientes loucos dos festivais. Por isso vou estar acompanhado por uma ‘big band' e por duas cantoras de soul verdadeiramente fantásticas. Este espectáculo será bastante mais alegre do que o último que dei em Portugal, em 2010, que coincidiu com a morte da minha mãe. Na altura em sentia-me muito deprimido.

- Com tantas passagens por Portugal, o que é que conhece do nosso país?

- Sim, na verdade já toquei muitas vezes em Portugal e é um país lindíssimo onde já passei excelentes momentos. Estou sempre desejoso de voltar. Portugal é um país à parte. Eu gosto muito de Espanha, por exemplo, que é vosso vizinho, mas Portugal é outro mundo. E depois gosto muito de fado. Conheço muito bem o trabalho da Amália Rodrigues.

- Disse numa entrevista que o seu novo disco, ‘Out Of The Game', é o culminar de uma vida de trabalho. Isso quer dizer que considera este o seu melhor disco de sempre?

- Não sei se é o melhor disco de sempre. O que posso dizer é que é o meu trabalho mais acessível feito até hoje. Para quem, por exemplo, ainda não conhecia bem a minha música, julgo que este pode ser um bom disco de iniciação ao mundo do Rufus (risos).

- O que é que quer dizer com o "meu disco mais acessível"?

- Quero dizer que é o meu disco mais pop de sempre. Por outro lado, acho que é um disco que traduz muito do meu percurso nos últimos anos, reflecte muito das minhas experiências e emoções mas de uma forma mais alegre e mais festiva do que se calhar vinha fazendo. Acho que este é um disco que convida à dança e que dá para alegrar as pessoas.

- Nos últimos anos viveu uma série de experiências pessoais psicologicamente muito intensas, como a morte da sua mãe e o nascimento da sua filha. De que forma é que isso influenciou o seu trabalho?

- Essas foram duas situações que me afectaram profundamente. A minha vida mudou bastante. Eu sempre fui uma pessoa muito influenciada pelo meu interior. Acho que é uma coisa de família (risos), a minha mãe já era assim e a minha irmã é igual.

- A sua mãe foi a sua grande influência no mundo da música?

- Sim, definitivamente. Ela era uma escritora de canções excepcional, era muito intensa e desde cedo comecei a sentir--me muito tocado pelas coisas que ela escrevia.

- Como é que era a relação dela com o seu trabalho?

- A minha mãe era a minha fã nº1, mas também a minha maior crítica. Sinto muito por já não a ter comigo, porque ela era uma verdadeira artista e tinha a noção exacta do que se devia e não devia fazer. E, depois, soube ser sempre uma mãe presente.

- O seu pai também era músico. Que memórias é que guarda da sua infância?

- Lembro-me de cantar muito com o meu pai. Ele andava sempre em digressão e recordo-me que sempre que podia nos levava ao teatro.

- Mas quando ele ia em digressão costumava viajar com ele?

- Não, mas vi muitos concertos dele, sobretudo quando tocava em Nova Iorque. Passei muitas noites no ‘backstage' a vê-lo tocar.

- Acha que a música foi hereditária?

- Acho que se pode dizer que sim. Acredito que a música faz parte do meu ADN. Herdei tudo isso. Da mesma forma também a minha irmã [a compositora Martha Wainwright] e a minha tia [a cantora Anna McGarrigle] também cantora, foram profundamente influenciadas pelo ambiente familiar que tivemos.

- A sua filha tem neste momento 15 meses [Rufus foi pai de uma menina em Fevereiro de 2011. A mãe é Lorca Cohen, filha de Leonard Cohen]. Que tipo de pai é o Rufus Wainwright?

- Espero ser um bom pai (risos). Não sei, acho que ainda é muito cedo para dizer que tipo de pai é que sou. Ela ainda nem sequer tem dois anos e eu só a vejo uma vez por mês, porque nestas idades os bebés têm de passar muito tempo com as mães. Por isso acho que se neste momento dissesse que era o pai perfeito ou seria tonto ou estaria a mentir.

- Este disco conta com a produção de Mark Ronson, o produtor de Amy Winehouse. Até que ponto é que ele foi importante neste disco?

- Ele é parte deste disco. Foi uma pessoa altamente inspiradora para mim. No início foi duro trabalhar com ele, mas com o tempo revelou-se uma pessoa muito acessível. Devo-lhe muito deste disco. É um grande produtor.

- Neste momento está a cumprir 14 anos de carreira. Olhando para trás, está surpreendido com tudo o que conseguiu?

- Sem dúvida. Ter pessoas interessadas no nosso trabalho é algo de mágico.

- O que gostava de fazer no futuro?

- Depois da experiência que foi fazer a ópera ‘Prima Donna', em 2009, gostava de voltar a fazer outra. Mas isso obrigava-me a entrar num universo novo.



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