• Tamanho Letra
  • Imprimir
  • Partilhar  Partilhar
  • Comentar
  • Ler Comentários
Gostou desta notícia?
URL

Sociedade recreativa: Dança sem fimÊxito: 02.6 - 10h Por: Fernando Sobral, Jornalista

Houve um tempo em que dançar era pecado. Estávamos em meados da década de 1970, quando o rock estava cansado, o punk ainda não despontara e os cantores de viola à tiracolo queriam mudar o mundo. Do nada, ou simplesmente do desejo de deixar que o corpo navegasse ao ritmo das batidas electrónicas, surgiu o ‘disco-sound’.

O desaparecimento, no espaço de poucos dias, de duas figuras emblemáticas desse tempo, Donna Summer e Robin Gibb, faz-nos recuperar um passado empolgante. Donna Summer surgiu em 1975 com ‘Love to Love You, Baby’, que introduziu ao mundo uma combinação de ritmos computorizados com uma voz cheia de sugestões sensuais.

Proibido na rádio, tornou-se um êxito nas discotecas. O fruto proibido nascido das ideias do produtor Giorgio Moroder marcaria os anos seguintes. Depois, ‘I Feel Love’ marcaria o ritmo da dança. O ‘disco-sound’ nascia. Os Bee Gees cairiam no ‘disco’ por acaso. Antes de ‘Stayin’Alive’, ‘Night Fever’ ou ‘How Deep is Your Love’, os Bee Gees planavam em sons mais calmos.

‘Saturday Night Fever’, o filme de 1977 com John Travolta, mudou tudo. Os Bee Gees escreveram oito dos temas da banda sonora e foram à boleia da nova moda. A exuberância das roupas num mundo que vivia em crise económica e o apelo ao divertimento para lutar contra a depressão encontravam os seus heróis. O ‘disco-sound’ teria uma vida efémera, entre o renascimento do rock, através do punk, e a pop electrónica mais elaborada.

Fruto de uma época de profunda crise, o ‘disco-sound’ foi sobretudo o som dos jovens dos subúrbios que tinham finalmente encontrado uma fórmula para sair aos fins-de-semana para se divertirem a dançar. O som ‘disco’ era libertador. Até em termos sexuais. Donna Summer e os Bee Gees foram bardos desse tempo. De dança sem fim.



Partilhar:

Copyright © 2011. Todos os direitos reservados. É expressamente proíbida a reprodução na totalidade ou em parte, em qualquer tipo de suporte, sem prévia permissão por escrito da Presslivre, S.A.,
uma empresa Cofina Media - Grupo Cofina.