Carlos Cunha: "Eu era bonitinho e era assediado" Nacionais:
22.4 - 10h
Por: Sabrina Hassanali
Carlos Cunha começou cedo no Teatro e quer trabalhar até poder. Diz que foi namoradeiro, mas afiança que agora está calmo. Tem duas filhas e admite que dá mais tempo à mais nova.
Correio da Manhã - Como surgiu a representação?
Carlos Cunha - A minha mãe era actriz e o meu pai tinha muitos amigos no Teatro. Estreei-me, aos nove anos, numa peça infantil, ‘O Pastotinho Beija-Flor', mas a sério, a primeira vez que recebi ordenado, foi com a peça ‘O Príncipe e a Corista'. O Vasco Morgado (o pai) precisava de um miúdo e propôs ao meu pai: "Deixa lá o miúdo experimentar..."
- Então a maior influência foi da sua mãe?
- Não, foi do meu pai. Os meus pais separaram-se e eu fiquei com ele, ou melhor, com a minha avó Alice.
- Mas manteve contacto com a sua mãe?
- Não, a minha mãe foi para África, casou lá. Desligámo-nos. Não que estivessemos zangados, apenas não havia proximidade.
- Nunca se reaproximaram?
- Não. Há pouco tempo vi-a, teve um problema de saúde e foi ter comigo ao teatro.
- Guarda ressentimento por esse afastamento?
- Não! Não sou de guardar mágoas ou ódios. Aliás, esqueço-me muito facilmente. Não tenho ódio a ninguém e não estou zangado com ninguém.
- Quando entrou na vida do teatro, levava uma vida boémia?
- As peças começavam às 20h30 e nós tínhamos de lá estar às 19h30. Ora não íamos jantar às 18h30 e, por isso, quando saíamos, à uma ou duas da manhã, íamos jantar. Comíamos cozido à portuguesa, chispalhada, bifes, o que houvesse aquela hora...
- E tinha muitas namoradas?
- Eu era muito namoradeiro. Era bonitinho e era
assediado. Nós, homens, temos a mania que ‘engatamos', mas se elas
não quiserem não há nada. Havia muitas mulheres que queriam
namorar comigo (risos).
- Ainda se apaixona facilmente?
- Não! Estou completamente calmo.
- Tem uma filha com 28 anos e outra de seis. É
um pai muito diferente?
- Sim. A disponibilidade é outra. Fiz mais pela
minha filha mais nova numa semana do que pela mais velha a vida
toda.
- Fala com relutância da sua vida privada...
- Devemos ter uma linha de separação entre o que
pode ser público e privado. A minha companheira não vem a uma
estreia minha assim como eu também não vou ao trabalho dela.
"GOSTO DE FUTEBOL, SOU VICIADO NO SPORTING"
- Se não fosse actor, o que gostaria de ser?
- Gostava de ser jogador de futebol, mas não
tenho pernas para isso.
- É do Sporting?
- Sou viciado no Sporting.
- Que relação tem com as redes sociais?
- Péssima. A minha filha criou-me uma conta no
Facebook, mas fui lá pouquíssimas vezes.
- Os actores costumam ter superstições. Tem
alguma?
- Antes de entrar em cena, gosto de olhar para o
texto todo, embora tenha a certeza de que o tenho memorizado. Se
não faço isso, "dá-me um galo".
- O que não tolera nas pessoas?
- A mentira.
- O que mais preza na vida?
- Prezo a amizade e o amor.
"SOU ROMÂNTICO"
CM - É romântico?
Carlos Cunha - Tem dias, já fui mais, mas ainda
sou. Sou bem-educado, delicado e terno.
- Faz surpresas à sua companheira?
- Tento fazer, mas com a vida que levamos hoje,
não há muito tempo para surpresas e o dinheiro não abunda.
- É pessoa de fazer extravagâncias?
- Não, porque não posso. Se pudesse, era.
- Se pudesse, que extravagância faria?
- Convidaria a minha companheira a jantar em
Veneza.
- Alguma vez ficou desempregado durante muito
tempo?
- Já cheguei a ficar mais de um ano, mas graças a
Deus nunca passei fome.
- Já pensou em investir nalgum negócio?
- Já tive um restaurante, um bar, fui tendo
alguns projectos, mas correram mal. Não sei mandar em pessoas.
- Quer trabalhar até poder?
- Exactamente. Pagam-me para fazer o que gosto, o
que é maravilhoso.
PERFIL
Carlos Cunha, de 58 anos, estreou em 1973 e
actualmente integra o elenco de ‘Morangos com Açúcar'. Foi casado
com Marina Mota, de quem tem uma filha, Erica, também actriz. Tem
mais uma filha, Joana, de seis anos.