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Famosos apanhados em escândalo de orgiasNacionais: 27.9 - 22h Por: Tânia Laranjo / Ana Isabel Fonseca / Rita Montenegro

As orgias decorriam nos melhores hotéis da Linha de Cascais e do Algarve e contavam com a participação de várias figuras públicas portuguesas. Entre quatro paredes foram gravadas cenas de sexo em grupo que envolveram travestis e prostitutas e onde José Castelo Branco foi um dos intervenientes. O ‘rei do jet-set', a mulher Betty Grafstein e outros famosos serão agora obrigados a explicar as orgias em tribunal. Isto porque a mulher de um empresário de Famalicão, João Ferreira, diz ter sido forçada a ter relações sexuais.

O Ministério Público diz mesmo na acusação que a "queixosa foi obrigada sob ameaça de armas a ter sexo com terceiros". O empresário do Norte está acusado de violência doméstica e detenção de armas.

Uma famosa relações públicas de Lisboa e uma jovem loira, na casa dos 20 anos, apontada como sendo filha de um conhecido político, são outras das figuras que surgem em cenas de sexo explícito nas fotografias. Também elas poderão ser chamadas a depor, tal como José Carlos Pereira, actor da TVI, que embora não apareça em nenhuma das cenas de sexo gravadas surge em fotografias na companhia do casal de Famalicão, à porta de hotéis de luxo onde decorriam os encontros.

Uma investigação da PJ do Porto esteve na origem do caso. João Ferreira, de 47 anos, era suspeito de tráfico de armas e na sequência de uma busca à sua casa em Lousado, Famalicão, os inspectores descobriram mais de 500 imagens e vídeos de cariz sexual.

A mulher de João acusou-o diante dos inspectores. Disse que durante mais de dez anos foi agredida e obrigada a prostituir-se. Garantiu ser autêntica escrava sexual. A filha do casal, de 10 anos, disse que o pai batia na mãe e pediu à PJ que o prendesse.

João, que está em prisão domiciliária, alegou que nunca forçou a mulher a ter sexo e por isso juntou ao processo mais fotografias e vídeos e pediu que Castelo Branco e Betty fossem ouvidos, o que nunca veio a acontecer. O objectivo é confirmarem a sua versão, que assenta no consentimento e em contrapartidas: diz que no final de uma orgia comprou a Castelo Branco um anel de 35 mil euros que deu à mulher. No processo está pelo menos um vídeo, que o CM viu, onde o marchand de arte mantém relações sexuais com o casal.

As orgias não tinham organizador. Envolviam desconhecidos, famosos, prostitutas e travestis. Recorriam sempre a objectos sexuais, como vibradores e algemas. Os encontros tinham lugar nos melhores hotéis, onde o preço da noite ascendia aos 500 euros. O Baía Hotel, o Miragem, o Quinta da Marinha, todos em Cascais; o Marina Hotel, em Vilamoura, e o Hotel Palace, no Estoril, eram os lugares de eleição.

O QUE SE VÊ NA GRAVAÇÃO

Mais de 500 fotografias e diversos vídeos constam do processo. Um vídeo de cerca de 10 minutos, usado para provar que a mulher de João Ferreira participava de livre vontade nas orgias, foi feito em 2006 num quarto de hotel. No início da gravação só se vê o arguido João Ferreira a passar umas fotos a alguém que aparece nas imagens e as assina. Entra uma mulher no quarto: está de saia de ganga curta, meias pretas de renda e uma blusa - e traz, dobrada, uma toillete de calça e casaco, corte clássico, em preto.

Castelo Branco, nessa altura, aproxima-se da cama e da mulher. Fala com o marido e diz que lhe vai dar conselhos de moda: quer que ela vista o casaco sem o sutiã - o que ela faz. Castelo Branco sugere como lhe ficava bem certa jóia ao peito. Todos se riem com vontade. A partir daí, Castelo Branco, vestido com um páreo de praia e chinelos, tira as cuecas. Ela e o marido despem-se também. Envolvem-se os três numa tórrida cena de sexo.

PORMENORES

TATUAGEM NO CORPO

Ouvida pelas autoridades, a mulher de João Ferreira diz que era obrigada a fazer sexo com outros homens. Garante que o marido a obrigou ainda a fazer uma tatuagem no corpo a dizer que o amava.

CARTAS DE AMOR

A vítima assegura ainda que tinha de escrever várias cartas a mostrar o seu amor ao marido. Segundo contou às autoridades, ele obrigava-a a dizer que era "um Deus" para ela.

DIZ QUE ESTAVA DOENTE

Chamada a depor na instrução do processo, a mulher de João apresentou um atestado médico. Garantiu que estava doente e a fazer um tratamento em Espanha.

HOTEL NEGA LIGAÇÃO

A direcção do hotel da Quinta da Marinha, Cascais, contactada pelo CM, apenas declarou que "não pode controlar tudo o que se passa nos quartos" entre os clientes.

ZECA NEGA CONHECER CASAL FERREIRA

Em várias fotografias juntas ao processo, José Carlos Pereira surge na companhia de João Ferreira e da mulher, junto à porta de alguns hotéis onde decorriam as orgias. Mostravam-se muito cúmplices e sorridentes. Ontem, ao CM, o actor da TVI negou qualquer envolvimento na rede.

Quando questionado sobre as fotografias onde está com o casal à porta de um hotel, o actor da TVI deixa claro que tal é uma situação normal. "Deve haver imensos casais que tiraram fotos comigo. Mas nunca participei em nada. Estou de consciência tranquila. Participar em orgias é completamente mentira. Acho tudo isto uma grande palhaçada que só me dá vontade de rir. Se há coisas que nunca fiz foi isso. O que é que eu tenho a ver com este caso?", questiona.

ORGIAS EM HOTÉIS DE LUXO

HOTEL PALÁCIO, NO ESTORIL, CASCAIS

"Não temos conhecimento dessas festas, o que não quer dizer que não existam comportamentos menos correctos dos clientes", disse ao CM Francisco Barros, director-geral do Hotel Palácio, Cascais. Garante que José Castelo Branco esteve no local "apenas em eventos sociais".

HOTEL BAÍA, NA BAÍA DE CASCAIS

"O hotel não possui condições para práticas extravagantes. O Castelo Branco e a mulher não estão na lista de clientes." Foi deste modo que João Cruz, director-geral do Hotel Baía, de três estrelas, em Cascais, comentou o alegado envolvimento desta unidade no processo em tribunal.

HOTEL CASCAIS MIRAGEM, EM CASCAIS

José Castelo Branco e José Carlos Pereira já estiveram, mais do que uma vez, no Hotel Miragem, em sessões fotográficas e outros eventos. Várias são as figuras públicas que o frequentam, mas, de acordo com o director-geral do hotel, nenhum dos dois referidos é cliente.

HOTEL TIVOLI MARINA, EM VILAMOURA

"Seja qual for o assunto, não falamos, nem fazemos comentários sobre os clientes do hotel", limitou-se a dizer a agência de comunicação que trata da imagem do Tivoli Marina, em Vilamoura, Algarve, acrescentando, ainda, nem saber se Castelo Branco alguma vez ficou no hotel.

POLÉMICAS

UMA NOITE NA PRISÃO

Em 2003, José Castelo Branco foi detido e passou uma noite na prisão. Tudo porque foi surpreendido no Aeroporto de Lisboa na posse de jóias que não tinha declarado.

PROTEGE DAVID MOTTA

Assim que Maria das Dores foi presa, sob a acusação de ter morto o marido, José Castelo Branco prontificou-se a cuidar do seu filho, David Motta, um dos seus melhores amigos.

SEXUALIDADE EM DÚVIDA

Na Namíbia, para participar no ‘Perdidos na Tribo', os nativos não sabiam se Castelo Branco era homem ou mulher. O ‘marchand' teve de provar a sua masculinidade.

"SOU A PESSOA MAIS PÚDICA DESTE MUNDO" (José Castelo Branco)

"Escandalizado." É desta forma que José Castelo Branco reage ao ver o seu nome constar de um processo que envolve uma rede de orgias sexuais violentas. "Sou a pessoa mais púdica deste Mundo e agora dizem que sou tarado. Tenho uma conduta sexual irrepreensível", diz o conhecido ‘marchand' ao CM, negando ter recebido qualquer notificação das autoridades. "Não recebi nada, garanto. Continuo a receber o meu correio, mas notificação, nada."

Garantindo "não saber" quem são as pessoas envolvidas, José Castelo Branco recorda-se de um episódio que remonta a "2005" e que o liga a um homem de nome "João". "As únicas pessoas que conheci de Lousado foram uns fãs. Conheci-os no Algarve quando fui rei do Carnaval de Vila Real de Santo António. Apareceu um casal que até me ofereceu uma tacinha de prata", recorda, acrescentando: "Na altura, fazia mudanças de visual para um jornal e convidei-a a participar. Disse-lhe que ela devia colocar umas maminhas novas e que ele devia ser operado à barriga. Tinha uma barriga enorme."

Mais tarde, relata o colaborador da TVI, chegou a "jantar" com o casal, até que recebeu imagens de "João" e da mulher já depois das intervenções cirúrgicas. "Ele mandou-me fotografias com a barriga lisa e com as maminhas da mulher e outra fotografia que devia ser da pila dele e com a mulher. Quando vi a foto, pensei logo: ‘esta gente é louca'. Apaguei aquilo tudo e nunca mais os vi. Afastei-me deles em 2005 quando percebi que eram loucos", garante Castelo Branco, negando ter participado em orgias de sexo violento.

"Sexo violento? Mas isso existe? Achei que isso só acontecia nos filmes de décimo escalão. É vergonhoso implicarem-me a mim e à Betty [Graffstein] - que é uma senhora - em coisas nojentas", afirma.

O CM sabe que a PSP fez chegar ao processo uma informação dando conta de que não tinha sido possível notificar o ‘marchand'. Também a TVI terá sido contactada, mas disse ao tribunal que não conhecia a morada de José Castelo Branco.

PORMENORES

RESIDÊNCIAS

Segundo a acusação do Ministério Público, algumas das orgias terão ocorrido também em residências, onde prostitutas e travestis prestavam serviço.

FOTOGRAFIAS

A mulher de João acusa-o ainda de a ter fotografado várias vezes despida e de ter colocado as fotografias na internet, anunciando encontros sexuais.

FILHO FICA COM AVÓS

O casal tem um menino, de cinco anos, que reside com os avós maternos desde muito novo, no centro de Famalicão. Apenas a menina, de dez anos, vivia com os pais.

MORADIA REPLETA DE SANTOS

João está em prisão domiciliária na casa da mãe, situada no centro de Lousado, Famalicão. A moradia não deixa ninguém indiferente. Está repleta de estátuas em honra de vários santos portugueses e tem no jardim diversas placas com inscrições fúnebres. Os portões vermelhos têm também pintadas duas enormes estrelas vermelhas. "São uma família muito excêntrica e muito rica", explicou ao CM um vizinho.

NOTAS

CM: CASO REVELADO

Na edição de 8 Janeiro, o ‘CM' revelava a história com o título ‘Judiciária liberta escrava sexual'. Na notícia eram relatados os primeiros dados da investigação judicial.

VIZINHOS COMENTAM CASO

Na freguesia de Lousado, em Famalicão, o caso é muito comentado. Os vizinhos afirmam que já se tinham apercebido de que o casal tinha uma relação complicada.

NÃO FALARAM

O ‘CM' tentou contactar com João, mas um familiar disse que aquele não estava disponível para falar. Também não foi possível chegar ao contacto com a mulher dele.

JUDICIÁRIA DETEVE AGRESSOR

O agressor foi detido a 7 de Janeiro pela Polícia Judiciária do Porto na sua casa, em Famalicão. A PJ encontrou vários filmes e fotografias de cariz sexual.

AMEAÇAS NO RESTAURANTE

A acusação do Ministério Público refere que João chegou a ameaçar de morte a mulher e que, num restaurante de Cascais, a insultou em público.

PROCESSO EM TRIBUNAL

O processo, que está entregue ao 1.º Juízo do Tribunal de Famalicão, está já na fase da instrução. O juiz irá decidir se o caso segue para julgamento.

PRESO DURANTE UM MÊS E MEIO

O empresário chegou a estar na prisão durante cerca de um mês e meio, pois a casa da mãe não tinha todos os requisitos necessários para a colocação da pulseira.

CASTELO BRANCO ESTREIA NOVA RUBRICA

José Castelo Branco estreou-se ontem à tarde numa nova rubrica do programa ‘A Tarde é Sua'. O formato é conduzido por Fátima Lopes, na TVI.

DIREITO DE RESPOSTA: JOSÉ CARLOS PEREIRA NEGA CONHECER O CASAL

Foi publicada, em 27 de Setembro último, uma manchete e desenvolvimentos nas páginas interiores nos quais sou visado, reportagens estas subscritas por Tânia Laranjo, Rita Montenegro e Ana Isabel Fonseca.

Tais textos e chamada de capa encontram-se intencionalmente organizados para que, quem os lê e, sobretudo, quem observa aquela primeira página, me referencie directamente a comportamentos socialmente reprováveis, que nunca pratiquei.

Até hoje desconheço o conteúdo do processo criminal referido, a que os subscritores da reportagem terão aparentemente tido acesso. Por isso, lamentando a situação em que fui colocado, de ter que me defender publicamente de algo que, na essência, desconheço, afirmo, em exercício de direito de resposta: a) Não sei quem é nem privei com o casal mencionado no vosso jornal; b) Caso existam, como afirmam, naquele processo, uma ou mais fotografias minhas com o referido casal, isso dever-se-á apenas ao facto de eu posar frequentemente, para fotografias, com pessoas que mo pedem; c) A eventual existência de fotos não permite a esse jornal fazer manchete com a minha imagem ou, sequer, usá-la, porque, como se vê na restante reportagem, nenhum outro facto ou referência existirá, naquele processo, a meu respeito; d) Mas tal inexistência de factos não evitou que esse jornal me referisse como frequentador, com outro visado, do Hotel Cascais Mirage, onde nunca pernoitei; e) Assim orientando directamente quem lê os textos para a consolidação das certezas, ou, pelo menos, das dúvidas, sobre uma qualquer relação anómala, minha, com o referido casal, relação que não existe nem existiu alguma vez ou por qualquer forma possível. Concluindo, informo que não autorizo que o meu nome ou imagem voltem a ser referenciados ao assunto noticiado naquela edição e muito menos sejam usados para promover a venda do jornal ‘Correio da Manhã’, como aconteceu no presente caso. A partir daí e por causa da forma como esse jornal editou e publicou, as repercussões têm sido permanentes e, para mim, insuportáveis. A gravidade das imputações que, por vós, me foram feitas, em forma de sub-texto, está a provocar grande perturbação na minha vida privada, na minha saúde e na minha vida profissional. Exigirei, pois, a assunção de responsabilidades sobre esses danos, no local e tempo próprios.

José Carlos Pereira



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